No Reply
Imagens ruínas
harmonia
mais ou menos isso
a fera no final do corredor
imagem do mar na cabeça
primeiro de tudo
as pedras inacabadas
no fresco da manhã
um rastejo de azul sobre as teias desse beco
um plano ou ideia
de passagem/de partida
mente essa hora
narra o avesso
traduz livremente a caminhada
armazena na gaveta tantas peças perdidas achadas em sonhos ou esquinas
todos carregam a mesma culpa
tem isso ainda
essa beira de abismo
esses livros calados nas estante
atravessa a mesma
nomeia
a frase no adesivo do carro da frente
na sombra da véspera
come a fruta
sobre a mesa
bebe a simbiótica cultura
sonoros licores
a base de tudo é o fim
a boca de tantas histórias
no meio disso tudo
somos o mesmo
sólido do osso
antes disso tudo
recorta a memória
refaz o discurso desse destino
retoma a velha verdade
ver
de relance
carrinho do supermercado
21 produtos
escolhidos a dedo
pesados
melhor o silêncio
é tanta coisa mesmo
duna de luz
onde fica a brecha nossa fauna selvagem
abrir fogo
talento nesse fim do mundo
a pressa
e a poesia
a pressa
e a poesia
a pressa
e a poesia
isso veio para mim num sonho
e todas as outras formas de matar
nauseantes
vem vento
ainda sonâmbulos
pensa
no
passador
do
tempo
aguarda aqui e ali
a glória
ou mesmo
a glória que seja
narração invade o rádio
toca aquela do U2
para a frente do espelho
testa a água quente do chuveiro
navegamos
o oceano da desimportância
feroz
essa nuvem
assume o B.O
na vida simplesmente
acerto de sombras
no pilotis
responde sempre
com silêncio
Vem assim, começa leve e estranho, mais ou menos a mesma coisa, pressentimento. Não existe nada, é só a ideia de algo, crio fugas, pequenas imagens para escapar da crise, pilotar uma lancha, cabecear uma bola de futebol, chutar a bola em um gramado bem feito, rodas do skate girando no asfalto liso. Certa vez li numa camiseta: “it’s all in your mind, you know”, entendi como uma mensagem direta, é um mar que vem e inunda, respiração ajuda, beber água, música também, desenhar é o que mais funciona, é tudo na sua cabeça.
Carne seca
com café
segura essa barra
mistura essa
defeito é o que não falta aqui
estranhamente tranquilo
na beira do abismo de todos nós.
Ou então, uma asa batendo no canto do olho, assim visível/invisível
puxa a mente para um túnel
de ecos e sombras.
Durante um
tempo
Estupefatos,
nos corredores frios
da
instituição.
Fila de espera.
Café frio.
Consulta.
Por
dentro do caminho
os pés trocam os passos.
23:13.
Agora,
mais
do que nunca,
os privilégios do silêncio.
Estou numa
ideia
fantástica
e inesperada.
Lembrança.
Nos
dizem a hora.
Alguma queda
pelo caminho.
Através do
deserto,
entre miragens,
coletamos gotas
que nos
afogam.
Durante um tempo
Admira esse céu
esse andar
procurando sombras
pedaços mofados da dúvida
um retrato
na sobreloja, sobe as escadas
na pequena xerox
reproduzo os textos
encaderno a terra devastada
uma batalha
cena muda
pela vidraça do café
com a imagem do céu
na copa da árvores
anotações do mês de novembro
tudo acontece nas horas vagas
clímax ou revolução
ilíada
A5
walkscapes
álbum
mx 375
alongado o pensamento dessa febre
toda a raiva
maré
fica só a melodia
depois na cabeça
enterrado no quintal
qualquer tesouro
no meio disso tudo
cheios de andamentos
ajuda aqui
um pouco
acharam um novo cômodo
no seu apartamento
com caixas e uma porta
acorda, no susto
a vida faz sentir
uma lenta decadência
começa pelo meio
sem qualquer pudor
interlúdios
in media res
uma saudade
na paisagem
nível do mar
na cabeça
não acaba
abre as asas do absurdo
alguma confusão monótona
letargia
no estacionamento vazio
caminhando
no dia da folga
nada ali na parte de cima
no sono-azul
energia circulando
pela fresta
escapamos
pelas manhãs intrusas
o instante ausente
o exato instante
de olhar
a pedra
que sustenta
a mão bruta da noite
escapa
agora vê
outro instante
a coluna que sustenta
agora a miragem
que abriga
qualquer coisa de insalubre
que machuca quem passa distraído
e eu
estou só preenchendo essa página em branco.
Ainda assim nessa hora a luz do reflexo do prédio
espera até o sopro
arde o olho
maneja os ocos desse espectro
cinzadesafeto
frio na espinha
abre a porta da padaria
divide o caminho no tempo qualquer
amanhece
obteromesmodestino
da fera
abrir a gargante
inflar
com uma só palavra
mastiga nessa hora
o mesmo chiclete
afina o instrumento
o vizinho do 103
dá para ouvir aqui do quinto
soa
coloca a surdina
abafado o dia
hoje
faz sentir
pulsar mais forte
arranja outra pluma
arruma o balaio dessa ilusão incabada
leva um pedaço desse outro fim
durante a caminhada
ritual Medéia
em 100 estrofes
para fazer um veneno
Aríete
na cabeça
leva tudo
desvendaval
argonautas em fuga/ a busca pela cura não vale a pena
e nada disso vai mudar a sua vida
o que dói
é a reta final
da curva
aquela coisa das pedras na praia
pedras soltas
MACAMBÚZIO
um filme do sorrisso
nave va
comboio de corda
caos contrário
as moscas volantes
aberto o campo
estranho azul que nos tranporta
Glacial Erratic
vidaque segue]
segue que vida
tocar ainda é cedo
construir todos os lados desse abismo
imagina, e só
isso é tudo que cabe nas mãos
caso contrário
seguimos os passos
pequenos ensaios
para seguir escapando
algum tipo de nostalgia
nesse espaço distante
sobras pelos rasos
pelos ares, olha o céu
coleciona ideias desse fim
nessa dança
ameniza o ritmo
retrato do intenso
as mãos no bolso
no rádio
fala o presidente
qualquer coisa improvável
carrega um fantasma
na palma da mão
susto
lirismo algum
confusão na porta da discoteca
não ando desse lado da calçada
a fera assombra o bairro
são muitos sonhos
para erguer uma catástrofe
duas horas mais tarde estávamos todos fora do tempo
desandando
desenhando rostos nas nuvens
na parte calma do dia
abre mais uma porta
mais calma
descansa os sapatos novos no corredor
não te falei que a vida é um sopro
uma simples bactéria já te leva embora daqui
saber aos poucos
suco dessa hora
vermelho
mecânica dos cotumes
dá um nó na gente
não somos todos a parte azul do planeta
rompemos ainda jovens os sonhos
pelas feiras mastigamos as frutas da estação
distopia é todo dia
jorra pelas beiras
essa coisa toda, no canto das unhas
essa goela seca, engolidora de passado
no canto da sala
todo esse futuro atrás da porta
todas as formas sutis da febre nos atingir
esquecer esses dias ruidosos
o almoço
conversas e solavancos
a mancha no centro
do espelho
no centro
da sala
de estar
serve outro refrigerante
é o tipo de gente que bebe fanta uva
mastigamos nossos delitos
e depois
o sorvete
todas as coisas simples
expostas no fundo do olho
responde ao pó
essa bagaça
o sol pela vidraça
responde no fim
o brilho fica no bolso
atravessa a cidade
essa espécie de silêncio
arranha
o nervo vago
pé de vento
lá fora
essa ideia torta
o primo perdido
faz tempo
limpa o céu
dura o tempo desse assombro
uma hora dessas, circulando pelo bairro
Lirismo algum
invade a sala de estar
cheia de futuro
pela janela
o beco do Bandeira
o cometa se escondeu
no avesso da mesma noite
figuras ausentes
o esforço é nosso maior propósito
na mecânica desse esquecimento
gesto radical da invenção
improviso do afeto
fazer um drama cósmico
com um bando de velhas ideias
pastiche:
indo e vindo
na condição da ausência
o mormaço ri
dos corpos tijolos
vibrando barro nessa sede
que não passa
um selvagem tumulto dentro da cabeça
A luz do posto pisca
trabalhador em massa
corrompe por aí
no ponto de ônibus desce mais um ou dois
fica difícil distinguir o brilho do suor
e é tanta pancada para levar
a felicidade pra casa
é também aquela fotografia no baú que se achou perdida
o motor só anda
no embalo
quem tem cachorro se lamenta nos afagos
quem não tem suspira na água fria
sem blindex
e a cortina criando mofo
arrisca o fim da tarde
terça-feira
já lateja a cabeça
não mais que ideias tristes
e vez em quando uma lembrança
1994
obrigado Roberto Baggio pelo penalti perdido e alegria concedida.
No mesmo passo demarca o futuro nessa palma de mão
nas ondas do amanhã 11 horas para alvorada estamos aqui novamente diante desse mistério
o ruído das coisas
aqui parei de escutar
diante do rugido
anos atrás
diante do rugido
manhã no méier, outros ventos
desfaz a figura
maré insiste
o auditório vazio
carrega junto esse nó
eco quase seco
sentae aguarda mais uma leva de ausências
caímos no mesmo golpe de sorte ou revés
apaga dessa infância uma memória
a queda não quis machucar, disfarçou a altura em suaves prestações.
Antes de mais nada, queria dizer que não acredito em nada disso, afinal é tudo uma relação de interesses, quaser acredito que a verdadeira cura vem do afeto, seja até mesmo e principalmente o próprio afeto, já não carrego a ideia de algum tipo de solução que não seja a própria exposição do problema, claro, toda a física tem seus limites corpóreos, mas o quer preciso falar é que acredito em você, no fundo é mesmo o processo que importa, vir até aqui sentar, falar e voltar, os ouvidos que importam, não seus donos.
Disfarça essa desgraça de saber a conclusão, a dança do Melodia naquele show.
Faz da vida um videogame novo
Artifício da bondade, toca a corda solta
desvia
as flechas
agora o inesperado soluça
coisa indivisíveis nesse carrinho
com a roda agarrando na fila do caixa rápido
tragédia
enterra uma obra de arte na mata do lado de casa
nunca estive aqui
mais tarde na churrascaria vamos afiar os sonhos e desafiar a eternidade
já carrego comigo esse acidente
ideias cheias de cabeças
os ossos expostos na garupa do tempo
Cosme careca coloca o lixo para fora do edifício na Pinheiro Machado, Pinheiro Machado foi assassinado com sete facadas pelas costas
Tempestada, El Niño, eles dizem, uma febre bem leve, uma chuva descarrega na parte alta da cidade
avança com fluidez na pista
é grande a ambição da água
encharcou o cacto… e outras formas do passado
as imagens dos destroços
na fotografia
no centro da sala
tantas pessoas pela sala
e quase ninguém sabe voar
olha pela janela
fachadas
caminho cigano que separa
os olhos da boca
casulo
no interior
dentro da própria fera
são todos gente
dentro desse pouco
carrega nas costas
uma emoção alucinante
fiquei sabendo os tempos mudaram
mudaram os homens de bem
guardo no armário o que sobrou
vamos ver o que acontece
a cidade ainda é moderna
faz pouco tempo que aprendi a voar
lento, profundo e mais doce
é veloz a euforia
e suas pequenas fatias
descansa desse dia
em café
só estica no colchão esse corpo
em estado de ilusão
traz nas mãos um punhado de acidentes
ver a beleza de relance
na espiral do giro desse moinho
cabotina lembrança
estou numa ideia fantástica e inesperada
juventude sobre os ombros
qualquer nota
salva na nuvem esse sonho
o passo é frágil até tocar o chão
e ainda tem essa gente que não abre a janela do avião.
Consumo todos os lados do probelma
todos os cantos do poema encurralado
aqui na palma das minhas costas
desce
machado-osso
punho-faca
esse silêncio guardei para outro verso…
agora sim
me apresento na frente desse trem
em alta velocidade
aguardo o impacto
abraçar nuvens de aço
a metáfora não supera a dor
no trilho ainda ouço os vagões afoitos
me partindo em minério
os trens só existem na fatalidade
tem gente com fome
agora eu sei
nunca
é tarde demais.
Quando nasci um anunciante, desses de comercial de intervalo me disse
vai Carlos, vai ser Uber na vida
Os homens vestem fuga
viver é assim
estar pelas baixas temporadas
nas terças almoço na pensão
depois fico sem tempo de viver direito
ainda não é hora de se ter certeza
não fazia ideia desse mar revolto
ainda triste pelo dia de amanhã
escrevo um poema para o copo de café:
NADIR
Carrega o quente
café pelando
aguenta o choque do balcão frio
desce então a cascata de açúcar
pela portinhola desse mundo sem medida
acompanha com a língua o percurso
sóbrio
ainda
200 ml
acabam aqui
os sonhos da manhã.
Não diga apenas
a pedra bruta
pode fazer
sentido
essa realidade
ausente
que começa
lá fora
e sempre
são tantas
partidas
e tanto
alívio
Ontem
novamente
a
agonia
Hoje
suporto
o
torpor
A ser pó
de seu
brilho
girando
num
liquidificador
velocidade 3
Toda a força
é uma linha de nylon
os nomes são frágeis
Falta
falta
o mesmo sal de farinha
Não
acaba
não
desespero disfarçado
em sinais
de fumaça
Troque as palavras
um minuto de atenção
aparências não enganam
não
Não importa o que você faça
alguém sempre vai te achar
ridículo
E esse alguém
estará coberto
de razão
Preservar
cada
ridícula verdade
Tão perto desse afeto
imperfeição completa
Abre caminho
dispara
fez começar
Ainda sim
as ruínas dizem
muito
Mergulha
mal
A hora
do
diálogo
A arte
do dilúvio
No centro, em vermelho, parece estar escrito de forma espelhada:
ABRIR
O
MAR
Brilha então
os novos destinos
Veste a camisa
do seu clube
e passeia
paga as contas
na loteria
da galeria
Oxford
Linguagem
das paisagens
Nós vemos
fundo
nos olhos
dessa América
daqui
Sala de projeção
alimenta a luz
reinventa o jogo
das sombras
Calor
Fortuna crítica
nesse pavimento
todas as coleções
são incompletas
No corpo
e no som
faísca.
Navegou
no espaço
atalante
Atlântico ou nós
tudo se desfaz
A parte de tudo
a parte
Apenas mais um
verão
incompleto
Memento
abrace
a vida
Cena no botequim
durante a refeição
Todos os sons menos
as falas —
ou todas as
falas e nenhum
som no ambiente
Causando
total
deslocamento
sensorial
Nas mesmas
brechas do calendário
tempo dentro do tempo
Escapar
sempre
na chuva
na curva
ponto cego
Um minuto dessa glória
Percorrer o bairro a pé
assim num dia santo
esperar chegar o amarelo
Somos todos
farinha do mesmo
saco
Ainda olhando
o sol
de longe
Saindo
dessa terra
e o vazio
desse vão
Que sustenta
toda a sorte
do inesperado
O céu
Se via no canto
um sopro qualquer
desesperado...
Já passou
Olha a selva
de tantos séculos
agora...
já passou
Revolta
no céu respinga
distância
Buraco que o tempo cava
espera, espera
eterno
O sal de fruta
entardeceu
Fácil
desgastar esses pés
por dentro
do próprio dentro
Mais ou menos na
metade do caminho
dá pra sentir
o pé torto
Que desvia sem parar
escapando
Da retidão
que
nos
consome
Ainda somos
ridículos
nesse
mesmo norte
Arrastados desses
aqui
derrete
um pouco
E vai
construir
outro
Tudo
é pouco
demais
Afunda
ali
a imagem
maré
Morre
a onda
na pedra
espuma
fica
e some
Imersão
no cais
gosto
de ver
os navios
Abano
o
ar
refresco
sobre
o
casco
Vida marinha
Fomenta
a
guerra
Disputa
Corre
esse
perigo
Amarga
em
vida
O sangue
que
corre
OK
venceu
você
Na vida
um dia
raiva
escapa
fica
vida
assume
o
controle
Tudo
e as notícias
na vida
Eles não
entenderam
Na cidade pequena
o museu era o cemitério
Visitando os edifícios
livres corredores
Abandono
pedra aguda
voando
A música
pelas escadas
Apaga a luz
acende
Diz
bom dia
retira a
dinâmica
O tratamento
é o processo
Sexta
rápido
vai na sombra
mundo
é minúsculo
Bambi
sabe o tom
da explosão
Faz bem passar
a mão pela cabeça
Foi assim da
outra vez
e da outra
Considere
pequeno desconhecido
a experiência
O ruído de tudo isso
força vital
que nos move
Grite no vizinho
me bebe da melancolia
pode até ser
exatamente isso
que você está pensando
Mas
é outra coisa
outra vivência
que acontece
onde ninguém
perceba
Correm pela noite da
criatura desamparada
Atrás de um ritmo
ou coreografia
que diga qualquer coisa
de real
Leva junto
toda a certeza
de amanhecer
Sente o tremor
desfaz o fim
Aqui
ainda
documento
relato
Sobre o magma dos dias
arremesso, as plumas de ganso
dos travesseiros
Tá todo mundo
agindo
Toda hora, uma nova
distopia para sonhar
ALGO
DOCE
NESSE
ASSOMBRO
O senso da culpa
materiais expostos
nas ruas e vãos
Mais do mesmo
treme a terra
Dia difícil
as horas dos pássaros
Ordem de cantos
no pico da castanheira
Tudo assim
no meio do caminho
Crônica
do
universo
Na mata fechada
a cor desmonta a paisagem
ou um brilho no entardecer
São tantos por aí, espalhando o olhar
Navegam, desfrutam da pouca tarde
As poças molham os pés
descalços
Na mesma tarde
desabrochando
Assim por quase todos os dias
fazer o arroz
esperar o café
Domesticar toda essa selvageria
Mastigar as horas
desacordadas
Andar quieto no amanhecer
antes mesmo do sol
Passo na calçada
amortecido
E outros continuam
Traz de volta
mesmo cansado
Agora somos todos uma só parte
Destravar o movimento
Contar o tempo
pela beirada
Na onda de um sonho
transformando
Tirar pedaços da beleza magra do dia
Passa o trem
Espera acabar a greve
dos Correios
Nadamos sempre nessa corrente
É veia exposta
nasce o sangue
Se deixa abraçar
pelo irmão
Cumprir essa meta
na pista salgada
uma só caminhada
O tempo e o tempo e o tempo
Sinal aberto, contando giro
disposição
O dia escolhe
o relógio e o palácio
Asfalto por baixo
correndo macio
Na curva fechada
dia que abriu
caminho de casa
Jornada que acaba
o corpo desata
A cara fechada
mais um que escapa
Caminho de casa
cidade da Baixa
Sou mais um que escapa
caminho de casa
É o resto da sobra
do que ficou
no dia de amanhã
É montar no cavalo
sem ver a altura
do tombo
Todo dia sai de casa
um que enche
um que esvazia
Na confusão, os cantos ocos
desse quarto do fundo
Um pouco, pouquinho que resta
desse embalo fora de festa
Pampa, pobre que ficou
Não tem barulho
que passe impune
Essa faca de dois gumes
que rasga
esse silêncio
Caminho de casa
Quem me abraça
se eu cair?
Na alta madrugada
fina cilindrada
curva acentuada
riscando a noite veloz
O tempo é papel
Nós aqui
sempre atentos
O procedimento é seguir
escapando nas encruzilhadas
O dia comum
é batalha
Cavalo de aço
transforma o ódio
em luta
Caminho de casa
um dia comum
é batalha
Agora simplesmente
A retidão dos afetos
acontece nas dobras
Nos estalos do cotidiano
É preciso ter os meios
mais do que os fins
Adormece
no meio do tumulto
Ela chama, pisca e vai
do outro lado, escapamos
Nas horas assim, similares
para o nada, algum
agradecimento para o ermo
Imagina pilotar
um jet ski
no mar
ou lagoa que seja
Bate no fundo do casco
sinto na sola do pé
Adormece
nas camadas mais finas do céu
Retiro esse extrato
prova real
Acumula o passado nessa curva
De todas as tardes
se gasta um pouco
do sonho
Sem planta de canto de rua
Beber tudo num gole só
Nem todos os tipos de afeto
obrigam do alto,
os topos dos prédios
Pousa e olha
Os meios de invadir o ar
matuta
Decolagem
De que lado morre o sol?
Pensa bem no vão
Constrói na paisagem um indício
de solo fértil
Boa tarde
A selva
dessa gente
Passa os olhos
rápido e já vai
A mesma
hora
Despista
o trajeto
Um bando só
nos muros erguidos
barrocos
encrustados
Tempo de espera alguma
na velocidade do viaduto
Nó que dá ouvir
Jesus alegria dos homens
Depois
o silêncio do túnel
Uma reflexão
sempre escapa
Nova camada
Nasce na fumaça
esse sono misturado
Arranha por onde passa
cola tudo nesse folhetim
Nas primeiras horas
dessa sexta-feira
Segue tudo suspenso
Partículas ainda maiores
por cima do olho
Imagem que passa
desenha a paisagem
São todas as promessas
da última estação
Acumula o sonho na escada
da igreja
Fica ali, tudo cinza
Espera
Santificado
seja
o nosso nome
em vão
Foca no fluxo
que carrega esse futuro
Uma chuva no dia da folga
então o rádio toca vazio
As coisas não nos alcançam mais
Celebra tudo em forma
Despista e remonta
a mecânica do dia
Lubrifica essa corrente
Na certa hora
do dia
Fugia a palavra
sem saber vestígio
Espera lembrar
tenta
Não vem
Assim vai
o caminho
No papel
fica
a ausência
riscada
Em volta
da mesma mesa
comemos o mesmo pão
De vez em quando
um respiro
toma de assalto
essa quietude
Mastiga o que não
vê
Na hora da tarde
estica o sol
na ponta
do sonho
A ideia
plantou aqui o desastre
No calor da hora
desperta
Lembra melodia
e vai
Pensa num nome bom
de filme
Então faz o roteiro
É do avesso
que se pesca
o oco da criação
Na moldura
fica só o quadro
No rascunho
uma
vida inteira
No assalto
furtivo da hora indigna
Empata pelo abandono
causa das circunstâncias
O vaidoso não
esse não merece
Nada além
da sobra
Desaba
É muita coisa importante
instante
Flagra o deslize
da palavra
A parede
que sustenta
não toca o chão
Espera ainda mais
O que parecia óbvio
agora é oblíquo
Canto sem beira
O instante exato agora
íntimo mergulho
distúrbio do sono
intervalo de viagem
lembra esquece
recorda
O instante exato agora
íntimo mergulho
distúrbio do sono
intervalo de viagem
lembra esquece
recorda
Agora
o isso ou aquilo
chuta a bola
sente o peso
arremesso
Desafia as leis da física
é tudo coisa da nossa cabeça
Absurdo
distante
Os bairros se arriscam
no sol
Salvaguarda
absurdo, distante
Amor seco
na rodovia
Pulo susto
puro suco
Disso
aqui
Ainda diante
da possibilidade
Pelos muros, são todos parte
no fundo da espelunca
Se acalma
Pelos mortos passamos
dizem pro vento
palavra qualquer
Diante de tudo
a possibilidade nos comove
Nos transforma
Descartável
O real engenho
começa no botequim
dispara essa dor
Lava os pés
imperativos nos consomem
Refaz o caminho todo
encontra o erro
e
agradece
A ideia mágica do absurdo
que embala nossa paz
Os muitos engodos das vontades
que afirmam... nessa travessia nenhuma
Nossos amores diários
de criação desfeitos
Sentinela amigo
que vigia
os intervalos inesperados
Olha em volta
desenha na cabeça
miragem
Reflete sobre sua azia
branda
É sempre véspera
da queda
e do gozo
Puxa fundo
um rabisco
certeiro
Deixa o traço
levar embora
esse agora
Fazer dos anos
catedrais
Cadeiras vazias no auditório
ouve atento
de onde vem o ruído
Colocar as cortinas
em seu devido lugar
No Reply
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no fresco da manhã
um rastejo de azul sobre as teias desse beco
um plano ou ideia
de passagem/de partida
mente essa hora
narra o avesso
traduz livremente a caminhada
armazena na gaveta tantas peças perdidas achadas em sonhos ou esquinas
todos carregam a mesma culpa
tem isso ainda
essa beira de abismo
esses livros calados nas estante
atravessa a mesma
nomeia
a frase no adesivo do carro da frente
na sombra da véspera
come a fruta
sobre a mesa
bebe a simbiótica cultura
sonoros licores
a base de tudo é o fim
a boca de tantas histórias
no meio disso tudo
somos o mesmo
sólido do osso
antes disso tudo
recorta a memória
refaz o discurso desse destino
retoma a velha verdade
ver
de relance
carrinho do supermercado
21 produtos
escolhidos a dedo
pesados
melhor o silêncio
é tanta coisa mesmo
duna de luz
onde fica a brecha nossa fauna selvagem
abrir fogo
talento nesse fim do mundo
a pressa
e a poesia
a pressa
e a poesia
a pressa
e a poesia
isso veio para mim num sonho
e todas as outras formas de matar
nauseantes
vem vento
ainda sonâmbulos
pensa
no
passador
do
tempo
aguarda aqui e ali
a glória
ou mesmo
a glória que seja
narração invade o rádio
toca aquela do U2
para a frente do espelho
testa a água quente do chuveiro
navegamos
o oceano da desimportância
feroz
essa nuvem
assume o B.O
na vida simplesmente
acerto de sombras
no pilotis
responde sempre
com silêncio
Vem assim, começa leve e estranho, mais ou menos a mesma coisa, pressentimento. Não existe nada, é só a ideia de algo, crio fugas, pequenas imagens para escapar da crise, pilotar uma lancha, cabecear uma bola de futebol, chutar a bola em um gramado bem feito, rodas do skate girando no asfalto liso. Certa vez li numa camiseta: “it’s all in your mind, you know”, entendi como uma mensagem direta, é um mar que vem e inunda, respiração ajuda, beber água, música também, desenhar é o que mais funciona, é tudo na sua cabeça.
Carne seca
com café
segura essa barra
mistura essa
defeito é o que não falta aqui
estranhamente tranquilo
na beira do abismo de todos nós.
Ou então, uma asa batendo no canto do olho, assim visível/invisível
puxa a mente para um túnel
de ecos e sombras.
Durante um
tempo
Estupefatos,
nos corredores frios
da
instituição.
Fila de espera.
Café frio.
Consulta.
Por
dentro do caminho
os pés trocam os passos.
23:13.
Agora,
mais
do que nunca,
os privilégios do silêncio.
Estou numa
ideia
fantástica
e inesperada.
Lembrança.
Nos
dizem a hora.
Alguma queda
pelo caminho.
Através do
deserto,
entre miragens,
coletamos gotas
que nos
afogam.
Durante um tempo
Admira esse céu
esse andar
procurando sombras
pedaços mofados da dúvida
um retrato
na sobreloja, sobe as escadas
na pequena xerox
reproduzo os textos
encaderno a terra devastada
uma batalha
cena muda
pela vidraça do café
com a imagem do céu
na copa da árvores
anotações do mês de novembro
tudo acontece nas horas vagas
clímax ou revolução
ilíada
A5
walkscapes
álbum
mx 375
alongado o pensamento dessa febre
toda a raiva
maré
fica só a melodia
depois na cabeça
enterrado no quintal
qualquer tesouro
no meio disso tudo
cheios de andamentos
ajuda aqui
um pouco
acharam um novo cômodo
no seu apartamento
com caixas e uma porta
acorda, no susto
a vida faz sentir
uma lenta decadência
começa pelo meio
sem qualquer pudor
interlúdios
in media res
uma saudade
na paisagem
nível do mar
na cabeça
não acaba
abre as asas do absurdo
alguma confusão monótona
letargia
no estacionamento vazio
caminhando
no dia da folga
nada ali na parte de cima
no sono-azul
energia circulando
pela fresta
escapamos
pelas manhãs intrusas
o instante ausente
o exato instante
de olhar
a pedra
que sustenta
a mão bruta da noite
escapa
agora vê
outro instante
a coluna que sustenta
agora a miragem
que abriga
qualquer coisa de insalubre
que machuca quem passa distraído
e eu
estou só preenchendo essa página em branco.
Ainda assim nessa hora a luz do reflexo do prédio
espera até o sopro
arde o olho
maneja os ocos desse espectro
cinzadesafeto
frio na espinha
abre a porta da padaria
divide o caminho no tempo qualquer
amanhece
obteromesmodestino
da fera
abrir a gargante
inflar
com uma só palavra
mastiga nessa hora
o mesmo chiclete
afina o instrumento
o vizinho do 103
dá para ouvir aqui do quinto
soa
coloca a surdina
abafado o dia
hoje
faz sentir
pulsar mais forte
arranja outra pluma
arruma o balaio dessa ilusão incabada
leva um pedaço desse outro fim
durante a caminhada
ritual Medéia
em 100 estrofes
para fazer um veneno
Aríete
na cabeça
leva tudo
desvendaval
argonautas em fuga/ a busca pela cura não vale a pena
e nada disso vai mudar a sua vida
o que dói
é a reta final
da curva
aquela coisa das pedras na praia
pedras soltas
MACAMBÚZIO
um filme do sorrisso
nave va
comboio de corda
caos contrário
as moscas volantes
aberto o campo
estranho azul que nos tranporta
Glacial Erratic
vidaque segue]
segue que vida
tocar ainda é cedo
construir todos os lados desse abismo
imagina, e só
isso é tudo que cabe nas mãos
caso contrário
seguimos os passos
pequenos ensaios
para seguir escapando
algum tipo de nostalgia
nesse espaço distante
sobras pelos rasos
pelos ares, olha o céu
coleciona ideias desse fim
nessa dança
ameniza o ritmo
retrato do intenso
as mãos no bolso
no rádio
fala o presidente
qualquer coisa improvável
carrega um fantasma
na palma da mão
susto
lirismo algum
confusão na porta da discoteca
não ando desse lado da calçada
a fera assombra o bairro
são muitos sonhos
para erguer uma catástrofe
duas horas mais tarde estávamos todos fora do tempo
desandando
desenhando rostos nas nuvens
na parte calma do dia
abre mais uma porta
mais calma
descansa os sapatos novos no corredor
não te falei que a vida é um sopro
uma simples bactéria já te leva embora daqui
saber aos poucos
suco dessa hora
vermelho
mecânica dos cotumes
dá um nó na gente
não somos todos a parte azul do planeta
rompemos ainda jovens os sonhos
pelas feiras mastigamos as frutas da estação
distopia é todo dia
jorra pelas beiras
essa coisa toda, no canto das unhas
essa goela seca, engolidora de passado
no canto da sala
todo esse futuro atrás da porta
todas as formas sutis da febre nos atingir
esquecer esses dias ruidosos
o almoço
conversas e solavancos
a mancha no centro
do espelho
no centro
da sala
de estar
serve outro refrigerante
é o tipo de gente que bebe fanta uva
mastigamos nossos delitos
e depois
o sorvete
todas as coisas simples
expostas no fundo do olho
responde ao pó
essa bagaça
o sol pela vidraça
responde no fim
o brilho fica no bolso
atravessa a cidade
essa espécie de silêncio
arranha
o nervo vago
pé de vento
lá fora
essa ideia torta
o primo perdido
faz tempo
limpa o céu
dura o tempo desse assombro
uma hora dessas, circulando pelo bairro
Lirismo algum
invade a sala de estar
cheia de futuro
pela janela
o beco do Bandeira
o cometa se escondeu
no avesso da mesma noite
figuras ausentes
o esforço é nosso maior propósito
na mecânica desse esquecimento
gesto radical da invenção
improviso do afeto
fazer um drama cósmico
com um bando de velhas ideias
pastiche:
indo e vindo
na condição da ausência
o mormaço ri
dos corpos tijolos
vibrando barro nessa sede
que não passa
um selvagem tumulto dentro da cabeça
A luz do posto pisca
trabalhador em massa
corrompe por aí
no ponto de ônibus desce mais um ou dois
fica difícil distinguir o brilho do suor
e é tanta pancada para levar
a felicidade pra casa
é também aquela fotografia no baú que se achou perdida
o motor só anda
no embalo
quem tem cachorro se lamenta nos afagos
quem não tem suspira na água fria
sem blindex
e a cortina criando mofo
arrisca o fim da tarde
terça-feira
já lateja a cabeça
não mais que ideias tristes
e vez em quando uma lembrança
1994
obrigado Roberto Baggio pelo penalti perdido e alegria concedida.
No mesmo passo demarca o futuro nessa palma de mão
nas ondas do amanhã 11 horas para alvorada estamos aqui novamente diante desse mistério
o ruído das coisas
aqui parei de escutar
diante do rugido
anos atrás
diante do rugido
manhã no méier, outros ventos
desfaz a figura
maré insiste
o auditório vazio
carrega junto esse nó
eco quase seco
sentae aguarda mais uma leva de ausências
caímos no mesmo golpe de sorte ou revés
apaga dessa infância uma memória
a queda não quis machucar, disfarçou a altura em suaves prestações.
Antes de mais nada, queria dizer que não acredito em nada disso, afinal é tudo uma relação de interesses, quaser acredito que a verdadeira cura vem do afeto, seja até mesmo e principalmente o próprio afeto, já não carrego a ideia de algum tipo de solução que não seja a própria exposição do problema, claro, toda a física tem seus limites corpóreos, mas o quer preciso falar é que acredito em você, no fundo é mesmo o processo que importa, vir até aqui sentar, falar e voltar, os ouvidos que importam, não seus donos.
Disfarça essa desgraça de saber a conclusão, a dança do Melodia naquele show.
Faz da vida um videogame novo
Artifício da bondade, toca a corda solta
desvia
as flechas
agora o inesperado soluça
coisa indivisíveis nesse carrinho
com a roda agarrando na fila do caixa rápido
tragédia
enterra uma obra de arte na mata do lado de casa
nunca estive aqui
mais tarde na churrascaria vamos afiar os sonhos e desafiar a eternidade
já carrego comigo esse acidente
ideias cheias de cabeças
os ossos expostos na garupa do tempo
Cosme careca coloca o lixo para fora do edifício na Pinheiro Machado, Pinheiro Machado foi assassinado com sete facadas pelas costas
Tempestada, El Niño, eles dizem, uma febre bem leve, uma chuva descarrega na parte alta da cidade
avança com fluidez na pista
é grande a ambição da água
encharcou o cacto… e outras formas do passado
as imagens dos destroços
na fotografia
no centro da sala
tantas pessoas pela sala
e quase ninguém sabe voar
olha pela janela
fachadas
caminho cigano que separa
os olhos da boca
casulo
no interior
dentro da própria fera
são todos gente
dentro desse pouco
carrega nas costas
uma emoção alucinante
fiquei sabendo os tempos mudaram
mudaram os homens de bem
guardo no armário o que sobrou
vamos ver o que acontece
a cidade ainda é moderna
faz pouco tempo que aprendi a voar
lento, profundo e mais doce
é veloz a euforia
e suas pequenas fatias
descansa desse dia
em café
só estica no colchão esse corpo
em estado de ilusão
traz nas mãos um punhado de acidentes
ver a beleza de relance
na espiral do giro desse moinho
cabotina lembrança
estou numa ideia fantástica e inesperada
juventude sobre os ombros
qualquer nota
salva na nuvem esse sonho
o passo é frágil até tocar o chão
e ainda tem essa gente que não abre a janela do avião.
Consumo todos os lados do probelma
todos os cantos do poema encurralado
aqui na palma das minhas costas
desce
machado-osso
punho-faca
esse silêncio guardei para outro verso…
agora sim
me apresento na frente desse trem
em alta velocidade
aguardo o impacto
abraçar nuvens de aço
a metáfora não supera a dor
no trilho ainda ouço os vagões afoitos
me partindo em minério
os trens só existem na fatalidade
tem gente com fome
agora eu sei
nunca
é tarde demais.
Quando nasci um anunciante, desses de comercial de intervalo me disse
vai Carlos, vai ser Uber na vida
Os homens vestem fuga
viver é assim
estar pelas baixas temporadas
nas terças almoço na pensão
depois fico sem tempo de viver direito
ainda não é hora de se ter certeza
não fazia ideia desse mar revolto
ainda triste pelo dia de amanhã
escrevo um poema para o copo de café:
NADIR
Carrega o quente
café pelando
aguenta o choque do balcão frio
desce então a cascata de açúcar
pela portinhola desse mundo sem medida
acompanha com a língua o percurso
sóbrio
ainda
200 ml
acabam aqui
os sonhos da manhã.
Não diga apenas
a pedra bruta
pode fazer
sentido
essa realidade
ausente
que começa
lá fora
e sempre
são tantas
partidas
e tanto
alívio
Ontem
novamente
a
agonia
Hoje
suporto
o
torpor
A ser pó
de seu
brilho
girando
num
liquidificador
velocidade 3
Toda a força
é uma linha de nylon
os nomes são frágeis
Falta
falta
o mesmo sal de farinha
Não
acaba
não
desespero disfarçado
em sinais
de fumaça
Troque as palavras
um minuto de atenção
aparências não enganam
não
Não importa o que você faça
alguém sempre vai te achar
ridículo
E esse alguém
estará coberto
de razão
Preservar
cada
ridícula verdade
Tão perto desse afeto
imperfeição completa
Abre caminho
dispara
fez começar
Ainda sim
as ruínas dizem
muito
Mergulha
mal
A hora
do
diálogo
A arte
do dilúvio
No centro, em vermelho, parece estar escrito de forma espelhada:
ABRIR
O
MAR
Brilha então
os novos destinos
Veste a camisa
do seu clube
e passeia
paga as contas
na loteria
da galeria
Oxford
Linguagem
das paisagens
Nós vemos
fundo
nos olhos
dessa América
daqui
Sala de projeção
alimenta a luz
reinventa o jogo
das sombras
Calor
Fortuna crítica
nesse pavimento
todas as coleções
são incompletas
No corpo
e no som
faísca.
Navegou
no espaço
atalante
Atlântico ou nós
tudo se desfaz
A parte de tudo
a parte
Apenas mais um
verão
incompleto
Memento
abrace
a vida
Cena no botequim
durante a refeição
Todos os sons menos
as falas —
ou todas as
falas e nenhum
som no ambiente
Causando
total
deslocamento
sensorial
Nas mesmas
brechas do calendário
tempo dentro do tempo
Escapar
sempre
na chuva
na curva
ponto cego
Um minuto dessa glória
Percorrer o bairro a pé
assim num dia santo
esperar chegar o amarelo
Somos todos
farinha do mesmo
saco
Ainda olhando
o sol
de longe
Saindo
dessa terra
e o vazio
desse vão
Que sustenta
toda a sorte
do inesperado
O céu
Se via no canto
um sopro qualquer
desesperado...
Já passou
Olha a selva
de tantos séculos
agora...
já passou
Revolta
no céu respinga
distância
Buraco que o tempo cava
espera, espera
eterno
O sal de fruta
entardeceu
Fácil
desgastar esses pés
por dentro
do próprio dentro
Mais ou menos na
metade do caminho
dá pra sentir
o pé torto
Que desvia sem parar
escapando
Da retidão
que
nos
consome
Ainda somos
ridículos
nesse
mesmo norte
Arrastados desses
aqui
derrete
um pouco
E vai
construir
outro
Tudo
é pouco
demais
Afunda
ali
a imagem
maré
Morre
a onda
na pedra
espuma
fica
e some
Imersão
no cais
gosto
de ver
os navios
Abano
o
ar
refresco
sobre
o
casco
Vida marinha
Fomenta
a
guerra
Disputa
Corre
esse
perigo
Amarga
em
vida
O sangue
que
corre
OK
venceu
você
Na vida
um dia
raiva
escapa
fica
vida
assume
o
controle
Tudo
e as notícias
na vida
Eles não
entenderam
Na cidade pequena
o museu era o cemitério
Visitando os edifícios
livres corredores
Abandono
pedra aguda
voando
A música
pelas escadas
Apaga a luz
acende
Diz
bom dia
retira a
dinâmica
O tratamento
é o processo
Sexta
rápido
vai na sombra
mundo
é minúsculo
Bambi
sabe o tom
da explosão
Faz bem passar
a mão pela cabeça
Foi assim da
outra vez
e da outra
Considere
pequeno desconhecido
a experiência
O ruído de tudo isso
força vital
que nos move
Grite no vizinho
me bebe da melancolia
pode até ser
exatamente isso
que você está pensando
Mas
é outra coisa
outra vivência
que acontece
onde ninguém
perceba
Correm pela noite da
criatura desamparada
Atrás de um ritmo
ou coreografia
que diga qualquer coisa
de real
Leva junto
toda a certeza
de amanhecer
Sente o tremor
desfaz o fim
Aqui
ainda
documento
relato
Sobre o magma dos dias
arremesso, as plumas de ganso
dos travesseiros
Tá todo mundo
agindo
Toda hora, uma nova
distopia para sonhar
ALGO
DOCE
NESSE
ASSOMBRO
O senso da culpa
materiais expostos
nas ruas e vãos
Mais do mesmo
treme a terra
Dia difícil
as horas dos pássaros
Ordem de cantos
no pico da castanheira
Tudo assim
no meio do caminho
Crônica
do
universo
Na mata fechada
a cor desmonta a paisagem
ou um brilho no entardecer
São tantos por aí, espalhando o olhar
Navegam, desfrutam da pouca tarde
As poças molham os pés
descalços
Na mesma tarde
desabrochando
Assim por quase todos os dias
fazer o arroz
esperar o café
Domesticar toda essa selvageria
Mastigar as horas
desacordadas
Andar quieto no amanhecer
antes mesmo do sol
Passo na calçada
amortecido
E outros continuam
Traz de volta
mesmo cansado
Agora somos todos uma só parte
Destravar o movimento
Contar o tempo
pela beirada
Na onda de um sonho
transformando
Tirar pedaços da beleza magra do dia
Passa o trem
Espera acabar a greve
dos Correios
Nadamos sempre nessa corrente
É veia exposta
nasce o sangue
Se deixa abraçar
pelo irmão
Cumprir essa meta
na pista salgada
uma só caminhada
O tempo e o tempo e o tempo
Sinal aberto, contando giro
disposição
O dia escolhe
o relógio e o palácio
Asfalto por baixo
correndo macio
Na curva fechada
dia que abriu
caminho de casa
Jornada que acaba
o corpo desata
A cara fechada
mais um que escapa
Caminho de casa
cidade da Baixa
Sou mais um que escapa
caminho de casa
É o resto da sobra
do que ficou
no dia de amanhã
É montar no cavalo
sem ver a altura
do tombo
Todo dia sai de casa
um que enche
um que esvazia
Na confusão, os cantos ocos
desse quarto do fundo
Um pouco, pouquinho que resta
desse embalo fora de festa
Pampa, pobre que ficou
Não tem barulho
que passe impune
Essa faca de dois gumes
que rasga
esse silêncio
Caminho de casa
Quem me abraça
se eu cair?
Na alta madrugada
fina cilindrada
curva acentuada
riscando a noite veloz
O tempo é papel
Nós aqui
sempre atentos
O procedimento é seguir
escapando nas encruzilhadas
O dia comum
é batalha
Cavalo de aço
transforma o ódio
em luta
Caminho de casa
um dia comum
é batalha
Agora simplesmente
A retidão dos afetos
acontece nas dobras
Nos estalos do cotidiano
É preciso ter os meios
mais do que os fins
Adormece
no meio do tumulto
Ela chama, pisca e vai
do outro lado, escapamos
Nas horas assim, similares
para o nada, algum
agradecimento para o ermo
Imagina pilotar
um jet ski
no mar
ou lagoa que seja
Bate no fundo do casco
sinto na sola do pé
Adormece
nas camadas mais finas do céu
Retiro esse extrato
prova real
Acumula o passado nessa curva
De todas as tardes
se gasta um pouco
do sonho
Sem planta de canto de rua
Beber tudo num gole só
Nem todos os tipos de afeto
obrigam do alto,
os topos dos prédios
Pousa e olha
Os meios de invadir o ar
matuta
Decolagem
De que lado morre o sol?
Pensa bem no vão
Constrói na paisagem um indício
de solo fértil
Boa tarde
A selva
dessa gente
Passa os olhos
rápido e já vai
A mesma
hora
Despista
o trajeto
Um bando só
nos muros erguidos
barrocos
encrustados
Tempo de espera alguma
na velocidade do viaduto
Nó que dá ouvir
Jesus alegria dos homens
Depois
o silêncio do túnel
Uma reflexão
sempre escapa
Nova camada
Nasce na fumaça
esse sono misturado
Arranha por onde passa
cola tudo nesse folhetim
Nas primeiras horas
dessa sexta-feira
Segue tudo suspenso
Partículas ainda maiores
por cima do olho
Imagem que passa
desenha a paisagem
São todas as promessas
da última estação
Acumula o sonho na escada
da igreja
Fica ali, tudo cinza
Espera
Santificado
seja
o nosso nome
em vão
Foca no fluxo
que carrega esse futuro
Uma chuva no dia da folga
então o rádio toca vazio
As coisas não nos alcançam mais
Celebra tudo em forma
Despista e remonta
a mecânica do dia
Lubrifica essa corrente
Na certa hora
do dia
Fugia a palavra
sem saber vestígio
Espera lembrar
tenta
Não vem
Assim vai
o caminho
No papel
fica
a ausência
riscada
Em volta
da mesma mesa
comemos o mesmo pão
De vez em quando
um respiro
toma de assalto
essa quietude
Mastiga o que não
vê
Na hora da tarde
estica o sol
na ponta
do sonho
A ideia
plantou aqui o desastre
No calor da hora
desperta
Lembra melodia
e vai
Pensa num nome bom
de filme
Então faz o roteiro
É do avesso
que se pesca
o oco da criação
Na moldura
fica só o quadro
No rascunho
uma
vida inteira
No assalto
furtivo da hora indigna
Empata pelo abandono
causa das circunstâncias
O vaidoso não
esse não merece
Nada além
da sobra
Desaba
É muita coisa importante
instante
Flagra o deslize
da palavra
A parede
que sustenta
não toca o chão
Espera ainda mais
O que parecia óbvio
agora é oblíquo
Canto sem beira
O instante exato agora
íntimo mergulho
distúrbio do sono
intervalo de viagem
lembra esquece
recorda
O instante exato agora
íntimo mergulho
distúrbio do sono
intervalo de viagem
lembra esquece
recorda
Agora
o isso ou aquilo
chuta a bola
sente o peso
arremesso
Desafia as leis da física
é tudo coisa da nossa cabeça
Absurdo
distante
Os bairros se arriscam
no sol
Salvaguarda
absurdo, distante
Amor seco
na rodovia
Pulo susto
puro suco
Disso
aqui
Ainda diante
da possibilidade
Pelos muros, são todos parte
no fundo da espelunca
Se acalma
Pelos mortos passamos
dizem pro vento
palavra qualquer
Diante de tudo
a possibilidade nos comove
Nos transforma
Descartável
O real engenho
começa no botequim
dispara essa dor
Lava os pés
imperativos nos consomem
Refaz o caminho todo
encontra o erro
e
agradece
A ideia mágica do absurdo
que embala nossa paz
Os muitos engodos das vontades
que afirmam... nessa travessia nenhuma
Nossos amores diários
de criação desfeitos
Sentinela amigo
que vigia
os intervalos inesperados
Olha em volta
desenha na cabeça
miragem
Reflete sobre sua azia
branda
É sempre véspera
da queda
e do gozo
Puxa fundo
um rabisco
certeiro
Deixa o traço
levar embora
esse agora
Fazer dos anos
catedrais
Cadeiras vazias no auditório
ouve atento
de onde vem o ruído
Colocar as cortinas
em seu devido lugar