quarta-feira, 27 de agosto de 2025

 

O apocalipse do outro, rasgar a cortina, deixar uma pegada no cimento fresco da porta do Sport club Mackenzie. Medir as proporções dos tombos, na hora final do dia imagino esse giro

roda do skate, motor em marcha lenta.

Na terceira pessoa da fila do caixa, disparo

Retrato.

Limão e pasta de dente

Débito.

Aproximação.

Se amontoam nas curvas, todos nós ali, portão da escola, sorveteria.


A cidade engole cada pequeno caso isolado de sobrevivência

Respirar nessas arestas

O dia de frente

Despisto pelos caminhos cada pedaço da vertigem que sustenta a estrutura

Processos naturais humanos

anunciam a tempestade

esperamos


nas horas imagem

imagem quadrada

forçar esse encontro

esperamos


nas veias abertas

só o que jorrava

era só

esperamos


Resposta suspensa

decifrar o sonho logo cedo

construir a mesma cerca em volta disso tudo

criar no vão

para o vão

e ir


salvar

como


Avolumar

todas as geometrias

planas

conjuntar esses horizontes em uma mixtape


construir cabeças cortadas

pensar o fim da memória

ver o que fica no final das contas


em todo esse infinitivo

impera

um mesmo rumo


Força fraca que vem, treme e acelera

no eco do ginásio vazio

ou beira de rio sem barco

cabeça acessa na imensidão do intervalo


Sobras que narram o todo

nos pequenos pedaços deslocados

montamos esse quebra-cabeças

no desenho

uma paisagem

figura

profundidade e latitude

rasura no canto da tela

agora exposto

no canto da parede

no centro da sala

diante da mesa com certeza

ninguém chama.


Amanhã

volta ao mercado

pois é disso que a vida é feita.


Passar pela calçada do Sport club Mackenzie

procurar o passo


torto, torto, sinceramente torto, a beleza é algo áspero e repetitivo

acontece assim, toda vez que chove, perde o sono e fica vibrando.

Camada em cima de camada, escurece o futuro, fruto amargo

na visão periférica, aparece a paisagem, recomeço da recaída , mesmo ouvindo Simon e Garfunkel não deixei ninguém feliz. Essas mundanas coisas, vemos através do espelho


no eco do ginásio vazio

toca na rádio

delírio dessa terra

a trupe chega na cidade

ainda não nos acostumamos com esse tanto de fim.

Ironia é todo o dia

das mortes mínimas entre os cafés

palavras de ordem

abec 9

deslize

inútil frequentar essa calçada

já se passaram dois dias nas últimas duas horas

nenhum aeroporto tem nome de mulher

quase nenhum



primeira parte do todo