Os panos por cima dos olhos
Reforça o azul do remanso, os fios dessa memória
Sustentam o peso do incerto
Caminhando pelo deserto
Até a próxima sombra
Muda cena
Pela violência do sistema
Escapa na reza
Escapa na resma
Desse papel timbrado
Codificado
É tradicional o fracasso
Vivemos com pouco
O descaso
Os panos em cima dos pratos
As moscas não pousam assim
As moscas não pousam assim
Muda
Cena muda
Só os credenciados desse lado da porta
. Comedores de terra
Disfarça aqui e ali essa síndrome de abutre
Exibir a cauda do pavão
Primeiro
Depois o soco na boca do céu.
Espera para derreter esse sistema
Divaga pela borda da paisagem
Constrói imenso castelo desmontado, espalhado pelos espaços de perda.
De tudo se faz esse suco
Não, primeiro se colhe as frutas
Primeiro se escolhe a fruta mais colhida
Depois se colhe sem parar
Aí sim, faz o suco
Bate muito bem batido
Diluir no polímero da moda
Engarrafa
Encaixota
Mobiliza a fúria
Anuncia no horário nobre