domingo, 2 de novembro de 2025

 Os panos por cima dos olhos

Reforça o azul do remanso, os fios dessa memória 

Sustentam o peso do incerto 

Caminhando pelo deserto 

Até a próxima sombra

Muda cena

Pela violência do sistema 

Escapa na reza

Escapa na resma

Desse papel timbrado

Codificado 

É tradicional o fracasso 

Vivemos com pouco

O descaso 

Os panos em cima dos pratos

As moscas não pousam assim

As moscas não pousam assim

Muda

Cena muda

Só os credenciados desse lado da porta

. Comedores de terra

Disfarça aqui e ali essa síndrome de abutre

Exibir a cauda do pavão 

Primeiro 

Depois o soco na boca do céu.

Espera para derreter esse sistema 

Divaga pela borda da paisagem 

Constrói imenso castelo desmontado, espalhado pelos espaços de perda.

De tudo se faz esse suco

Não, primeiro se colhe as frutas

Primeiro se escolhe a fruta mais colhida

Depois se colhe sem parar 

Aí sim, faz o suco

Bate muito bem batido 

Diluir no polímero da moda

Engarrafa

Encaixota

Mobiliza a fúria

Anuncia no horário nobre

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primeira parte do todo