Uma ode aos avessos
pequenos tropeços nos dias claros.
Um canto aos difusos
que partem os espelhos e rompem
simplesmente rompem
enquanto esperam.
De todos os cantos, os pertos dos muros são melhores, na margem da sombra rala
raspando o braço no chapiscado que rodeia a realidade.
Escorre pelo canto da boca, uma pequena dose de violência com um amargo perdão na língua, engulo.
Na curva arde o sol de cemitério, os corpos em esfinges e também retratos ovais em molduras douradas com início e fim e só. Passando o cemitério tem a cidade dos vivos que mandam flores e rezam.
Alguns dançam nas obras inacabadas inventando músicas para suportarem o peso do céu, os vivos são assim, ainda que ossos em movimento produzem também palavras, e isso faz toda a diferença.