quarta-feira, 22 de julho de 2020

ou a caminhada

De todos os fogos
chama 
inventa aqui 
um oco.

Linguagem pelo corpo
que falo
vejo canto
um sopro.

Vou ver o meteoro
não vi
só vi tudo
que nunca está.

Onde o sufoco aperta
no passeio público
caminho por dentro dos sinais
fechados.

De todos os corpos
linguagem do fogo
o sufoco e o meteoro que atravesso.


quarta-feira, 8 de julho de 2020

Rua Desembargador Isidro, 156

o carro hesitante no mapa

aceita a corrida, mas permanece parado

um, dois minutos

ele vem.


Entro no Uber
Genilson
Ford Ka branco
Disse que tá foda
Não sabe se vai aguentar
Baixou a cabeça no volante e chorou
Praça da cruz vermelha
Agora fica repetindo que vai desistir

rua frei caneca 54

fecho a porta com uma ponta de lança no coração.

e sendo a vida

obra tão frágil

merecedora de qualquer gota de beleza,

escrevo poesia

no meu peito

para disfarçar essa tristeza.


Apenas um

Os sons tilintando

quase verbos

mas com traços estáticos

que apenas vibram

discretamente.



na entropia

entorpeço

peço uma coca-cola

eu tomo

anoiteço.



os números romanos

o iogurte grego

o céu é para todos

somos isso.


somos

trem.

subúrbio em marcha

com sangue no olho

e loção pós-barba.


lembrança que não desce

marujos observando a tempestade chegar

na calmaria.


Divido o bolo de laranja

reparto

cada fatia, um monumento erguido

no altar do seu prato

o sacrifício do fubá

consumamos os fatos.


As roupas se jogam do varal

no vento quente de abril

que arremessa os pensamentos contra os muros

de sonho.



primeira parte do todo