terça-feira, 15 de setembro de 2026

primeira parte do todo

 

No Reply

Imagens ruínas

harmonia

mais ou menos isso

a fera no final do corredor

imagem do mar na cabeça

primeiro de tudo

as pedras inacabadas

no fresco da manhã

um rastejo de azul sobre as teias desse beco

um plano ou ideia

de passagem/de partida

mente essa hora

narra o avesso

traduz livremente a caminhada

armazena na gaveta tantas peças perdidas achadas em sonhos ou esquinas

todos carregam a mesma culpa

tem isso ainda

essa beira de abismo

esses livros calados nas estante

atravessa a mesma

nomeia

a frase no adesivo do carro da frente

na sombra da véspera

come a fruta

sobre a mesa

bebe a simbiótica cultura

sonoros licores

a base de tudo é o fim

a boca de tantas histórias

no meio disso tudo

somos o mesmo

sólido do osso

antes disso tudo

recorta a memória

refaz o discurso desse destino

retoma a velha verdade

ver

de relance

carrinho do supermercado

21 produtos

escolhidos a dedo

pesados

melhor o silêncio

é tanta coisa mesmo

duna de luz

onde fica a brecha nossa fauna selvagem

abrir fogo

talento nesse fim do mundo

a pressa

e a poesia

a pressa

e a poesia

a pressa

e a poesia

isso veio para mim num sonho

e todas as outras formas de matar

nauseantes

vem vento

ainda sonâmbulos

pensa

no

passador

do

tempo

aguarda aqui e ali

a glória

ou mesmo

a glória que seja

narração invade o rádio

toca aquela do U2

para a frente do espelho

testa a água quente do chuveiro

navegamos

o oceano da desimportância


feroz

essa nuvem

assume o B.O

na vida simplesmente

acerto de sombras

no pilotis

responde sempre

com silêncio


Vem assim, começa leve e estranho, mais ou menos a mesma coisa, pressentimento. Não existe nada, é só a ideia de algo, crio fugas, pequenas imagens para escapar da crise, pilotar uma lancha, cabecear uma bola de futebol, chutar a bola em um gramado bem feito, rodas do skate girando no asfalto liso. Certa vez li numa camiseta: “it’s all in your mind, you know”, entendi como uma mensagem direta, é um mar que vem e inunda, respiração ajuda, beber água, música também, desenhar é o que mais funciona, é tudo na sua cabeça.


Carne seca

com café

segura essa barra

mistura essa

defeito é o que não falta aqui

estranhamente tranquilo


na beira do abismo de todos nós.


Ou então, uma asa batendo no canto do olho, assim visível/invisível

puxa a mente para um túnel

de ecos e sombras.

Durante um tempo
Estupefatos,
nos corredores frios
da instituição.
Fila de espera.
Café frio.
Consulta.
Por dentro do caminho
os pés trocam os passos.
23:13.
Agora,
mais do que nunca,
os privilégios do silêncio.
Estou numa ideia
fantástica
e inesperada.
Lembrança.
Nos dizem a hora.
Alguma queda
pelo caminho.
Através do deserto,
entre miragens,
coletamos gotas
que nos afogam.
Durante um tempo


Admira esse céu

esse andar

procurando sombras

pedaços mofados da dúvida

um retrato

na sobreloja, sobe as escadas

na pequena xerox

reproduzo os textos

encaderno a terra devastada


uma batalha

cena muda

pela vidraça do café

com a imagem do céu

na copa da árvores


anotações do mês de novembro

tudo acontece nas horas vagas

clímax ou revolução

ilíada

A5

walkscapes

álbum

mx 375


alongado o pensamento dessa febre

toda a raiva

maré

fica só a melodia

depois na cabeça


enterrado no quintal

qualquer tesouro

no meio disso tudo

cheios de andamentos

ajuda aqui

um pouco

acharam um novo cômodo

no seu apartamento

com caixas e uma porta

acorda, no susto

a vida faz sentir


uma lenta decadência

começa pelo meio

sem qualquer pudor

interlúdios

in media res

uma saudade

na paisagem


nível do mar

na cabeça

não acaba

abre as asas do absurdo

alguma confusão monótona


letargia

no estacionamento vazio

caminhando

no dia da folga

nada ali na parte de cima

no sono-azul

energia circulando

pela fresta

escapamos

pelas manhãs intrusas


o instante ausente

o exato instante

de olhar

a pedra

que sustenta

a mão bruta da noite

escapa

agora vê

outro instante

a coluna que sustenta

agora a miragem

que abriga

qualquer coisa de insalubre

que machuca quem passa distraído

e eu

estou só preenchendo essa página em branco.


Ainda assim nessa hora a luz do reflexo do prédio

espera até o sopro

arde o olho

maneja os ocos desse espectro


cinzadesafeto

frio na espinha

abre a porta da padaria

divide o caminho no tempo qualquer

amanhece

obteromesmodestino

da fera

abrir a gargante

inflar

com uma só palavra

mastiga nessa hora

o mesmo chiclete

afina o instrumento

o vizinho do 103

dá para ouvir aqui do quinto

soa

coloca a surdina

abafado o dia

hoje

faz sentir

pulsar mais forte

arranja outra pluma

arruma o balaio dessa ilusão incabada

leva um pedaço desse outro fim


durante a caminhada

ritual Medéia

em 100 estrofes

para fazer um veneno

Aríete

na cabeça

leva tudo

desvendaval

argonautas em fuga/ a busca pela cura não vale a pena

e nada disso vai mudar a sua vida

o que dói

é a reta final

da curva


aquela coisa das pedras na praia

pedras soltas


MACAMBÚZIO

um filme do sorrisso

nave va

comboio de corda


caos contrário

as moscas volantes

aberto o campo

estranho azul que nos tranporta


Glacial Erratic

vidaque segue]

segue que vida

tocar ainda é cedo

construir todos os lados desse abismo

imagina, e só

isso é tudo que cabe nas mãos

caso contrário

seguimos os passos

pequenos ensaios

para seguir escapando


algum tipo de nostalgia

nesse espaço distante

sobras pelos rasos

pelos ares, olha o céu

coleciona ideias desse fim

nessa dança

ameniza o ritmo

retrato do intenso

as mãos no bolso

no rádio

fala o presidente

qualquer coisa improvável

carrega um fantasma

na palma da mão

susto

lirismo algum

confusão na porta da discoteca

não ando desse lado da calçada

a fera assombra o bairro

são muitos sonhos

para erguer uma catástrofe


duas horas mais tarde estávamos todos fora do tempo

desandando

desenhando rostos nas nuvens

na parte calma do dia

abre mais uma porta

mais calma

descansa os sapatos novos no corredor

não te falei que a vida é um sopro

uma simples bactéria já te leva embora daqui

saber aos poucos

suco dessa hora

vermelho

mecânica dos cotumes

dá um nó na gente

não somos todos a parte azul do planeta

rompemos ainda jovens os sonhos

pelas feiras mastigamos as frutas da estação

distopia é todo dia

jorra pelas beiras

essa coisa toda, no canto das unhas

essa goela seca, engolidora de passado

no canto da sala

todo esse futuro atrás da porta

todas as formas sutis da febre nos atingir

esquecer esses dias ruidosos

o almoço

conversas e solavancos

a mancha no centro

do espelho

no centro

da sala

de estar

serve outro refrigerante

é o tipo de gente que bebe fanta uva

mastigamos nossos delitos

e depois

o sorvete

todas as coisas simples

expostas no fundo do olho

responde ao pó

essa bagaça

o sol pela vidraça

responde no fim

o brilho fica no bolso

atravessa a cidade

essa espécie de silêncio

arranha

o nervo vago

pé de vento

lá fora

essa ideia torta

o primo perdido

faz tempo

limpa o céu

dura o tempo desse assombro

uma hora dessas, circulando pelo bairro


Lirismo algum

invade a sala de estar

cheia de futuro

pela janela

o beco do Bandeira

o cometa se escondeu

no avesso da mesma noite

figuras ausentes

o esforço é nosso maior propósito

na mecânica desse esquecimento

gesto radical da invenção

improviso do afeto

fazer um drama cósmico

com um bando de velhas ideias

pastiche:

indo e vindo

na condição da ausência

o mormaço ri

dos corpos tijolos

vibrando barro nessa sede

que não passa

um selvagem tumulto dentro da cabeça


A luz do posto pisca

trabalhador em massa

corrompe por aí

no ponto de ônibus desce mais um ou dois

fica difícil distinguir o brilho do suor

e é tanta pancada para levar

a felicidade pra casa

é também aquela fotografia no baú que se achou perdida

o motor só anda

no embalo

quem tem cachorro se lamenta nos afagos

quem não tem suspira na água fria

sem blindex

e a cortina criando mofo

arrisca o fim da tarde

terça-feira

já lateja a cabeça

não mais que ideias tristes

e vez em quando uma lembrança

1994

obrigado Roberto Baggio pelo penalti perdido e alegria concedida.


No mesmo passo demarca o futuro nessa palma de mão

nas ondas do amanhã 11 horas para alvorada estamos aqui novamente diante desse mistério

o ruído das coisas

aqui parei de escutar

diante do rugido

anos atrás

diante do rugido

manhã no méier, outros ventos

desfaz a figura

maré insiste

o auditório vazio

carrega junto esse nó

eco quase seco

sentae aguarda mais uma leva de ausências

caímos no mesmo golpe de sorte ou revés

apaga dessa infância uma memória

a queda não quis machucar, disfarçou a altura em suaves prestações.


Antes de mais nada, queria dizer que não acredito em nada disso, afinal é tudo uma relação de interesses, quaser acredito que a verdadeira cura vem do afeto, seja até mesmo e principalmente o próprio afeto, já não carrego a ideia de algum tipo de solução que não seja a própria exposição do problema, claro, toda a física tem seus limites corpóreos, mas o quer preciso falar é que acredito em você, no fundo é mesmo o processo que importa, vir até aqui sentar, falar e voltar, os ouvidos que importam, não seus donos.

Disfarça essa desgraça de saber a conclusão, a dança do Melodia naquele show.

Faz da vida um videogame novo


Artifício da bondade, toca a corda solta

desvia

as flechas

agora o inesperado soluça

coisa indivisíveis nesse carrinho

com a roda agarrando na fila do caixa rápido

tragédia

enterra uma obra de arte na mata do lado de casa

nunca estive aqui

mais tarde na churrascaria vamos afiar os sonhos e desafiar a eternidade

já carrego comigo esse acidente

ideias cheias de cabeças

os ossos expostos na garupa do tempo

Cosme careca coloca o lixo para fora do edifício na Pinheiro Machado, Pinheiro Machado foi assassinado com sete facadas pelas costas


Tempestada, El Niño, eles dizem, uma febre bem leve, uma chuva descarrega na parte alta da cidade

avança com fluidez na pista

é grande a ambição da água

encharcou o cacto… e outras formas do passado

as imagens dos destroços

na fotografia

no centro da sala

tantas pessoas pela sala

e quase ninguém sabe voar

olha pela janela

fachadas

caminho cigano que separa

os olhos da boca

casulo

no interior

dentro da própria fera


são todos gente

dentro desse pouco

carrega nas costas

uma emoção alucinante

fiquei sabendo os tempos mudaram

mudaram os homens de bem

guardo no armário o que sobrou

vamos ver o que acontece

a cidade ainda é moderna

faz pouco tempo que aprendi a voar

lento, profundo e mais doce

é veloz a euforia

e suas pequenas fatias

descansa desse dia

em café

só estica no colchão esse corpo

em estado de ilusão

traz nas mãos um punhado de acidentes

ver a beleza de relance

na espiral do giro desse moinho

cabotina lembrança

estou numa ideia fantástica e inesperada

juventude sobre os ombros

qualquer nota

salva na nuvem esse sonho

o passo é frágil até tocar o chão

e ainda tem essa gente que não abre a janela do avião.


Consumo todos os lados do probelma

todos os cantos do poema encurralado

aqui na palma das minhas costas

desce

machado-osso

punho-faca

esse silêncio guardei para outro verso…

agora sim

me apresento na frente desse trem

em alta velocidade

aguardo o impacto

abraçar nuvens de aço

a metáfora não supera a dor

no trilho ainda ouço os vagões afoitos

me partindo em minério

os trens só existem na fatalidade

tem gente com fome

agora eu sei

nunca

é tarde demais.


Quando nasci um anunciante, desses de comercial de intervalo me disse

vai Carlos, vai ser Uber na vida


Os homens vestem fuga

viver é assim

estar pelas baixas temporadas

nas terças almoço na pensão

depois fico sem tempo de viver direito

ainda não é hora de se ter certeza

não fazia ideia desse mar revolto

ainda triste pelo dia de amanhã

escrevo um poema para o copo de café:


NADIR


Carrega o quente

café pelando

aguenta o choque do balcão frio

desce então a cascata de açúcar

pela portinhola desse mundo sem medida

acompanha com a língua o percurso

sóbrio

ainda

200 ml

acabam aqui

os sonhos da manhã.





Não diga apenas
a pedra bruta
pode fazer
sentido
essa realidade
ausente
que começa
lá fora
e sempre
são tantas
partidas
e tanto
alívio

Ontem
novamente
a agonia

Hoje
supo
rto
o
torpor

A ser pó
de seu brilho
girando
num
liquidificador
velocidade 3



Toda a força
é uma linha de nylon
os nomes são frágeis
Falta
falta
o mesmo sal de farinha
Não
acaba
não
desespero disfarçado
em sinais
de fumaça
Troque as palavras
um minuto de atenção
aparências não enganam
não



Não importa o que você faça
alguém sempre vai te achar
ridículo
E esse alguém
estará coberto
de razão
Preservar
cada
ridícula verdade



Tão perto desse afeto
imperfeição completa
Abre caminho
dispara
fez começar
Ainda sim
as ruínas dizem
muito
Mergulha
mal
A hora
do
diálogo
A arte
do dilúvio

No centro, em vermelho, parece estar escrito de forma espelhada:

ABRIR
O
MAR



Brilha então
os novos destinos
Veste a camisa
do seu clube
e passeia
pa
ga as contas
na loteria
da galeria
Oxford
Linguagem
das paisagens
Nós vemos
fundo
nos olhos
dessa América
daqui



Sala de projeção
alimenta a luz
reinventa o jogo
das sombras
Calor
Fortuna crítica
nesse pavimento
todas as coleções
são incompletas
No corpo
e no som
fa
ísca.



Navegou
no espaço
atalante
Atlântico ou nós
tudo se desfaz
A parte de tudo
a parte
Apenas mais um
verão
incompleto
Memento
abrace
a vida



Cena no botequim
durante a refeição
Todos os sons menos
as falas —
ou todas as
falas e nenhum
som no ambiente
Causando
total
deslocamento
sensorial




Nas mesmas
brechas do calendário
tempo dentro do tempo
Escapar
sempre
na chuva
na curva
ponto cego
Um minuto dessa glória
Percorrer o bairro a pé
assim num dia santo
esperar chegar o amarelo
Somos todos
farinha do mesmo
saco



Ainda olhando
o sol
de longe
Saindo
dessa terra
e o vazio
desse vão
Que sustenta
toda a sorte
do inesperado



O céu
Se via no canto
um sopro qualquer
desesperado...
Já passou
Olha a selva
de tantos séculos
agora...
já passou
Revolta
no céu respinga
distância
Buraco que o tempo cava
espera, espera
eterno
O sal de fruta
entardeceu




Fácil
des
gastar esses pés
por dentro
do próprio dentro
Mais ou menos na
metade do caminho
dá pra sentir
o pé torto
Que desvia sem parar
escapando
Da retidão
que
nos
consome



Ainda somos
ridículos
nesse
mesmo norte
Arrastados desses
aqui
derrete
um pouco
E vai
construir
outro
Tudo
é pouco
demais



Afunda
ali
a imagem
maré
Morre
a onda
na pedra
espuma
fica
e some
Imersão
no cais
gosto
de ver
os navios
Abano
o
ar
refresco
sobre
o
casco
Vida marinha



Fomenta
a
guerra
Disputa
Corre
esse
perigo
Amarga
em
vida
O sangue
que
corre



OK
venceu

você
Na vida
um dia
raiva
escapa
fica
vida
assume
o
controle
Tudo
e as notícias
na vida
Eles não
entenderam




Na cidade pequena
o museu era o cemitério
Visitando os edifícios
livres corredores
Abandono
pedra aguda
voando
A música
pelas escadas
Apaga a luz
acende



Diz
bom dia
retira a
dinâmica
O tratamento
é o processo
Sexta
rápido
vai na sombra
mundo
é minúsculo
Bambi
sabe o tom
da explosão
Faz bem passar
a mão pela cabeça
Foi assim da
outra vez
e da outra




Considere
pequeno desconhecido
a experiência
O ruído de tudo isso
força vital
que nos move
Grite no vizinho
me bebe da melancolia
pode até ser
exatamente isso
que você está pensando
Mas
é outra coisa
outra vivência
que acontece
onde ninguém
perceba




Correm pela noite da
criatura desamparada
Atrás de um ritmo
ou coreografia
que diga qualquer coisa
de real
Leva junto
toda a certeza
de amanhecer
Sente o tremor
desfaz o fim




Aqui
ainda
documento
relato
Sobre o magma dos dias
arremesso, as plumas de ganso
dos travesseiros
Tá todo mundo
agindo
Toda hora, uma nova
distopia para sonhar



ALGO
DOCE
NESSE
ASSOMBRO



O senso da culpa
materiais expostos
nas ruas e vãos
Mais do mesmo
treme a terra
Dia difícil
as horas dos pássaros
Ordem de cantos
no pico da castanheira
Tudo assim
no meio do caminho




Crônica
do
universo
Na mata fechada
a cor desmonta a paisagem
ou um brilho no entardecer
São tantos por aí, espalhando o olhar
Navegam, desfrutam da pouca tarde
As poças molham os pés
descalços



Na mesma tarde
desabrochando
Assim por quase todos os dias
fazer o arroz
esperar o café
Domesticar toda essa selvageria
Mastigar as horas
desacordadas
Andar quieto no amanhecer
antes mesmo do sol
Passo na calçada
amortecido
E outros continuam




Traz de volta
mesmo cansado
Agora somos todos uma só parte
Destravar o movimento
Contar o tempo
pela beirada
Na onda de um sonho
transformando
Tirar pedaços da beleza magra do dia
Passa o trem
Espera acabar a greve
dos Correios
Nadamos sempre nessa corrente
É veia exposta
nasce o sangue
Se deixa abraçar
pelo irmão



Cumprir essa meta
na pista salgada
uma só caminhada
O tempo e o tempo e o tempo
Sinal aberto, contando giro
disposição
O dia escolhe
o relógio e o palácio
Asfalto por baixo
correndo macio
Na curva fechada
dia que abriu
caminho de casa
Jornada que acaba
o corpo desata
A cara fechada
mais um que escapa
Caminho de casa
cidade da Baixa
Sou mais um que escapa
caminho de casa



É o resto da sobra
do que ficou
no dia de amanhã
É montar no cavalo
sem ver a altura
do tombo
Todo dia sai de casa
um que enche
um que esvazia
Na confusão, os cantos ocos
desse quarto do fundo
Um pouco, pouquinho que resta
desse embalo fora de festa
Pampa, pobre que ficou
Não tem barulho
que passe impune
Essa faca de dois gumes
que rasga
esse silêncio



Caminho de casa
Quem me abraça
se eu cair?
Na alta madrugada
fina cilindrada
curva acentuada
riscando a noite veloz
O tempo é papel
Nós aqui
sempre atentos
O procedimento é seguir
escapando nas encruzilhadas
O dia comum
é batalha
Cavalo de aço
transforma o ódio
em luta
Caminho de casa
um dia comum
é batalha








Agora simplesmente
A retidão dos afetos
acontece nas dobras
Nos estalos do cotidiano
É preciso ter os meios
mais do que os fins



Adormece
no meio do tumulto
Ela chama, pisca e vai
do outro lado, escapamos
Nas horas assim, similares
para o nada, algum
agradecimento para o ermo
Imagina pilotar
um jet ski
no mar
ou lagoa que seja
Bate no fundo do casco
sinto na sola do pé




Adormece
nas camadas mais finas do céu
Retiro esse extrato
prova real
Acumula o passado nessa curva
De todas as tardes
se gasta um pouco
do sonho
Sem planta de canto de rua
Beber tudo num gole só




Nem todos os tipos de afeto
obrigam do alto,
os topos dos prédios
Pousa e olha
Os meios de invadir o ar
matuta
Decolagem
De que lado morre o sol?
Pensa bem no vão
Constrói na paisagem um indício
de solo fértil
Boa tarde



A selva
dessa gente
Passa os olhos
rápido e já vai
A mesma
hora
Despista
o trajeto



Um bando só
nos muros erguidos
barrocos
encrustados
Tempo de espera alguma
na velocidade do viaduto
Nó que dá ouvir
Jesus alegria dos homens
Depois
o silêncio do túnel
Uma reflexão
sempre escapa



Nova camada
Nasce na fumaça
esse sono misturado
Arranha por onde passa
cola tudo nesse folhetim
Nas primeiras horas
dessa sexta-feira
Segue tudo suspenso
Partículas ainda maiores
por cima do olho
Imagem que passa
desenha a paisagem



São todas as promessas
da última estação
Acumula o sonho na escada
da igreja
Fica ali, tudo cinza
Espera



Santificado
seja
o nosso nome
em vão
Foca no fluxo
que carrega esse futuro
Uma chuva no dia da folga
então o rádio toca vazio
As coisas não nos alcançam mais
Celebra tudo em forma
Despista e remonta
a mecânica do dia
Lubrifica essa corrente



Na certa hora
do dia
Fugia a palavra
sem saber vestígio
Espera lembrar
tenta
Não vem
Assim vai
o caminho
No papel
fica
a ausência
riscada



Em volta
da mesma mesa
comemos o mesmo pão
De vez em quando
um respiro
toma de assalto
essa quietude
Mastiga o que não
vê
Na hora da tarde
estica o sol
na ponta
do sonho



A ideia
plantou aqui o desastre
No calor da hora
desperta
Lembra melodia
e vai
Pensa num nome bom
de filme
Então faz o roteiro
É do avesso
que se pesca
o oco da criação
Na moldura
fica só o quadro
No rascunho
uma
vida inteira



No assalto
furtivo da hora indigna
Empata pelo abandono
causa das circunstâncias
O vaidoso não
esse não merece
Nada além
da sobra
Desaba
É muita coisa importante
instante
Flagra o deslize
da palavra
A parede
que sustenta
não toca o chão
Espera ainda mais
O que parecia óbvio
agora é oblíquo
Canto sem beira



O instante exato agora
íntimo mergulho
distúrbio do sono
intervalo de viagem
lembra esquece
recorda
O instante exato agora
íntimo mergulho
distúrbio do sono
intervalo de viagem
lembra esquece
recorda
Agora
o isso ou aquilo
chuta a bola
sente o peso
arremesso
Desafia as leis da física
é tudo coisa da nossa cabeça




Absurdo
distante
Os bairros se arriscam
no sol
Salvaguarda
absurdo, distante
Amor seco
na rodovia
Pulo susto
puro suco
Disso
aqui



Ainda diante
da possibilidade
Pelos muros, são todos parte
no fundo da espelunca
Se acalma
Pelos mortos passamos
dizem pro vento
palavra qualquer
Diante de tudo
a possibilidade nos comove
Nos transforma



Descartável
O real engenho
começa no botequim
dispara essa dor
Lava os pés
imperativos nos consomem
Refaz o caminho todo
encontra o erro
e
agradece



A ideia mágica do absurdo
que embala nossa paz
Os muitos engodos das vontades
que afirmam... nessa travessia nenhuma
Nossos amores diários
de criação desfeitos



Sentinela amigo
que vigia
os intervalos inesperados
Olha em volta
desenha na cabeça
miragem
Reflete sobre sua azia
branda
É sempre véspera
da queda
e do gozo
Puxa fundo
um rabisco
certeiro
Deixa o traço
levar embora
esse agora



Fazer dos anos
catedrais
Cadeiras vazias no auditório
ouve atento
de onde vem o ruído
Colocar as cortinas
em seu devido lugar























































No Reply

Imagens ruínas

harmonia

mais ou menos isso

a fera no final do corredor

imagem do mar na cabeça

primeiro de tudo

as pedras inacabadas

no fresco da manhã

um rastejo de azul sobre as teias desse beco

um plano ou ideia

de passagem/de partida

mente essa hora

narra o avesso

traduz livremente a caminhada

armazena na gaveta tantas peças perdidas achadas em sonhos ou esquinas

todos carregam a mesma culpa

tem isso ainda

essa beira de abismo

esses livros calados nas estante

atravessa a mesma

nomeia

a frase no adesivo do carro da frente

na sombra da véspera

come a fruta

sobre a mesa

bebe a simbiótica cultura

sonoros licores

a base de tudo é o fim

a boca de tantas histórias

no meio disso tudo

somos o mesmo

sólido do osso

antes disso tudo

recorta a memória

refaz o discurso desse destino

retoma a velha verdade

ver

de relance

carrinho do supermercado

21 produtos

escolhidos a dedo

pesados

melhor o silêncio

é tanta coisa mesmo

duna de luz

onde fica a brecha nossa fauna selvagem

abrir fogo

talento nesse fim do mundo

a pressa

e a poesia

a pressa

e a poesia

a pressa

e a poesia

isso veio para mim num sonho

e todas as outras formas de matar

nauseantes

vem vento

ainda sonâmbulos

pensa

no

passador

do

tempo

aguarda aqui e ali

a glória

ou mesmo

a glória que seja

narração invade o rádio

toca aquela do U2

para a frente do espelho

testa a água quente do chuveiro

navegamos

o oceano da desimportância


feroz

essa nuvem

assume o B.O

na vida simplesmente

acerto de sombras

no pilotis

responde sempre

com silêncio


Vem assim, começa leve e estranho, mais ou menos a mesma coisa, pressentimento. Não existe nada, é só a ideia de algo, crio fugas, pequenas imagens para escapar da crise, pilotar uma lancha, cabecear uma bola de futebol, chutar a bola em um gramado bem feito, rodas do skate girando no asfalto liso. Certa vez li numa camiseta: “it’s all in your mind, you know”, entendi como uma mensagem direta, é um mar que vem e inunda, respiração ajuda, beber água, música também, desenhar é o que mais funciona, é tudo na sua cabeça.


Carne seca

com café

segura essa barra

mistura essa

defeito é o que não falta aqui

estranhamente tranquilo


na beira do abismo de todos nós.


Ou então, uma asa batendo no canto do olho, assim visível/invisível

puxa a mente para um túnel

de ecos e sombras.

Durante um tempo
Estupefatos,
nos corredores frios
da instituição.
Fila de espera.
Café frio.
Consulta.
Por dentro do caminho
os pés trocam os passos.
23:13.
Agora,
mais do que nunca,
os privilégios do silêncio.
Estou numa ideia
fantástica
e inesperada.
Lembrança.
Nos dizem a hora.
Alguma queda
pelo caminho.
Através do deserto,
entre miragens,
coletamos gotas
que nos afogam.
Durante um tempo


Admira esse céu

esse andar

procurando sombras

pedaços mofados da dúvida

um retrato

na sobreloja, sobe as escadas

na pequena xerox

reproduzo os textos

encaderno a terra devastada


uma batalha

cena muda

pela vidraça do café

com a imagem do céu

na copa da árvores


anotações do mês de novembro

tudo acontece nas horas vagas

clímax ou revolução

ilíada

A5

walkscapes

álbum

mx 375


alongado o pensamento dessa febre

toda a raiva

maré

fica só a melodia

depois na cabeça


enterrado no quintal

qualquer tesouro

no meio disso tudo

cheios de andamentos

ajuda aqui

um pouco

acharam um novo cômodo

no seu apartamento

com caixas e uma porta

acorda, no susto

a vida faz sentir


uma lenta decadência

começa pelo meio

sem qualquer pudor

interlúdios

in media res

uma saudade

na paisagem


nível do mar

na cabeça

não acaba

abre as asas do absurdo

alguma confusão monótona


letargia

no estacionamento vazio

caminhando

no dia da folga

nada ali na parte de cima

no sono-azul

energia circulando

pela fresta

escapamos

pelas manhãs intrusas


o instante ausente

o exato instante

de olhar

a pedra

que sustenta

a mão bruta da noite

escapa

agora vê

outro instante

a coluna que sustenta

agora a miragem

que abriga

qualquer coisa de insalubre

que machuca quem passa distraído

e eu

estou só preenchendo essa página em branco.


Ainda assim nessa hora a luz do reflexo do prédio

espera até o sopro

arde o olho

maneja os ocos desse espectro


cinzadesafeto

frio na espinha

abre a porta da padaria

divide o caminho no tempo qualquer

amanhece

obteromesmodestino

da fera

abrir a gargante

inflar

com uma só palavra

mastiga nessa hora

o mesmo chiclete

afina o instrumento

o vizinho do 103

dá para ouvir aqui do quinto

soa

coloca a surdina

abafado o dia

hoje

faz sentir

pulsar mais forte

arranja outra pluma

arruma o balaio dessa ilusão incabada

leva um pedaço desse outro fim


durante a caminhada

ritual Medéia

em 100 estrofes

para fazer um veneno

Aríete

na cabeça

leva tudo

desvendaval

argonautas em fuga/ a busca pela cura não vale a pena

e nada disso vai mudar a sua vida

o que dói

é a reta final

da curva


aquela coisa das pedras na praia

pedras soltas


MACAMBÚZIO

um filme do sorrisso

nave va

comboio de corda


caos contrário

as moscas volantes

aberto o campo

estranho azul que nos tranporta


Glacial Erratic

vidaque segue]

segue que vida

tocar ainda é cedo

construir todos os lados desse abismo

imagina, e só

isso é tudo que cabe nas mãos

caso contrário

seguimos os passos

pequenos ensaios

para seguir escapando


algum tipo de nostalgia

nesse espaço distante

sobras pelos rasos

pelos ares, olha o céu

coleciona ideias desse fim

nessa dança

ameniza o ritmo

retrato do intenso

as mãos no bolso

no rádio

fala o presidente

qualquer coisa improvável

carrega um fantasma

na palma da mão

susto

lirismo algum

confusão na porta da discoteca

não ando desse lado da calçada

a fera assombra o bairro

são muitos sonhos

para erguer uma catástrofe


duas horas mais tarde estávamos todos fora do tempo

desandando

desenhando rostos nas nuvens

na parte calma do dia

abre mais uma porta

mais calma

descansa os sapatos novos no corredor

não te falei que a vida é um sopro

uma simples bactéria já te leva embora daqui

saber aos poucos

suco dessa hora

vermelho

mecânica dos cotumes

dá um nó na gente

não somos todos a parte azul do planeta

rompemos ainda jovens os sonhos

pelas feiras mastigamos as frutas da estação

distopia é todo dia

jorra pelas beiras

essa coisa toda, no canto das unhas

essa goela seca, engolidora de passado

no canto da sala

todo esse futuro atrás da porta

todas as formas sutis da febre nos atingir

esquecer esses dias ruidosos

o almoço

conversas e solavancos

a mancha no centro

do espelho

no centro

da sala

de estar

serve outro refrigerante

é o tipo de gente que bebe fanta uva

mastigamos nossos delitos

e depois

o sorvete

todas as coisas simples

expostas no fundo do olho

responde ao pó

essa bagaça

o sol pela vidraça

responde no fim

o brilho fica no bolso

atravessa a cidade

essa espécie de silêncio

arranha

o nervo vago

pé de vento

lá fora

essa ideia torta

o primo perdido

faz tempo

limpa o céu

dura o tempo desse assombro

uma hora dessas, circulando pelo bairro


Lirismo algum

invade a sala de estar

cheia de futuro

pela janela

o beco do Bandeira

o cometa se escondeu

no avesso da mesma noite

figuras ausentes

o esforço é nosso maior propósito

na mecânica desse esquecimento

gesto radical da invenção

improviso do afeto

fazer um drama cósmico

com um bando de velhas ideias

pastiche:

indo e vindo

na condição da ausência

o mormaço ri

dos corpos tijolos

vibrando barro nessa sede

que não passa

um selvagem tumulto dentro da cabeça


A luz do posto pisca

trabalhador em massa

corrompe por aí

no ponto de ônibus desce mais um ou dois

fica difícil distinguir o brilho do suor

e é tanta pancada para levar

a felicidade pra casa

é também aquela fotografia no baú que se achou perdida

o motor só anda

no embalo

quem tem cachorro se lamenta nos afagos

quem não tem suspira na água fria

sem blindex

e a cortina criando mofo

arrisca o fim da tarde

terça-feira

já lateja a cabeça

não mais que ideias tristes

e vez em quando uma lembrança

1994

obrigado Roberto Baggio pelo penalti perdido e alegria concedida.


No mesmo passo demarca o futuro nessa palma de mão

nas ondas do amanhã 11 horas para alvorada estamos aqui novamente diante desse mistério

o ruído das coisas

aqui parei de escutar

diante do rugido

anos atrás

diante do rugido

manhã no méier, outros ventos

desfaz a figura

maré insiste

o auditório vazio

carrega junto esse nó

eco quase seco

sentae aguarda mais uma leva de ausências

caímos no mesmo golpe de sorte ou revés

apaga dessa infância uma memória

a queda não quis machucar, disfarçou a altura em suaves prestações.


Antes de mais nada, queria dizer que não acredito em nada disso, afinal é tudo uma relação de interesses, quaser acredito que a verdadeira cura vem do afeto, seja até mesmo e principalmente o próprio afeto, já não carrego a ideia de algum tipo de solução que não seja a própria exposição do problema, claro, toda a física tem seus limites corpóreos, mas o quer preciso falar é que acredito em você, no fundo é mesmo o processo que importa, vir até aqui sentar, falar e voltar, os ouvidos que importam, não seus donos.

Disfarça essa desgraça de saber a conclusão, a dança do Melodia naquele show.

Faz da vida um videogame novo


Artifício da bondade, toca a corda solta

desvia

as flechas

agora o inesperado soluça

coisa indivisíveis nesse carrinho

com a roda agarrando na fila do caixa rápido

tragédia

enterra uma obra de arte na mata do lado de casa

nunca estive aqui

mais tarde na churrascaria vamos afiar os sonhos e desafiar a eternidade

já carrego comigo esse acidente

ideias cheias de cabeças

os ossos expostos na garupa do tempo

Cosme careca coloca o lixo para fora do edifício na Pinheiro Machado, Pinheiro Machado foi assassinado com sete facadas pelas costas


Tempestada, El Niño, eles dizem, uma febre bem leve, uma chuva descarrega na parte alta da cidade

avança com fluidez na pista

é grande a ambição da água

encharcou o cacto… e outras formas do passado

as imagens dos destroços

na fotografia

no centro da sala

tantas pessoas pela sala

e quase ninguém sabe voar

olha pela janela

fachadas

caminho cigano que separa

os olhos da boca

casulo

no interior

dentro da própria fera


são todos gente

dentro desse pouco

carrega nas costas

uma emoção alucinante

fiquei sabendo os tempos mudaram

mudaram os homens de bem

guardo no armário o que sobrou

vamos ver o que acontece

a cidade ainda é moderna

faz pouco tempo que aprendi a voar

lento, profundo e mais doce

é veloz a euforia

e suas pequenas fatias

descansa desse dia

em café

só estica no colchão esse corpo

em estado de ilusão

traz nas mãos um punhado de acidentes

ver a beleza de relance

na espiral do giro desse moinho

cabotina lembrança

estou numa ideia fantástica e inesperada

juventude sobre os ombros

qualquer nota

salva na nuvem esse sonho

o passo é frágil até tocar o chão

e ainda tem essa gente que não abre a janela do avião.


Consumo todos os lados do probelma

todos os cantos do poema encurralado

aqui na palma das minhas costas

desce

machado-osso

punho-faca

esse silêncio guardei para outro verso…

agora sim

me apresento na frente desse trem

em alta velocidade

aguardo o impacto

abraçar nuvens de aço

a metáfora não supera a dor

no trilho ainda ouço os vagões afoitos

me partindo em minério

os trens só existem na fatalidade

tem gente com fome

agora eu sei

nunca

é tarde demais.


Quando nasci um anunciante, desses de comercial de intervalo me disse

vai Carlos, vai ser Uber na vida


Os homens vestem fuga

viver é assim

estar pelas baixas temporadas

nas terças almoço na pensão

depois fico sem tempo de viver direito

ainda não é hora de se ter certeza

não fazia ideia desse mar revolto

ainda triste pelo dia de amanhã

escrevo um poema para o copo de café:


NADIR


Carrega o quente

café pelando

aguenta o choque do balcão frio

desce então a cascata de açúcar

pela portinhola desse mundo sem medida

acompanha com a língua o percurso

sóbrio

ainda

200 ml

acabam aqui

os sonhos da manhã.





Não diga apenas
a pedra bruta
pode fazer
sentido
essa realidade
ausente
que começa
lá fora
e sempre
são tantas
partidas
e tanto
alívio

Ontem
novamente
a agonia

Hoje
supo
rto
o
torpor

A ser pó
de seu brilho
girando
num
liquidificador
velocidade 3



Toda a força
é uma linha de nylon
os nomes são frágeis
Falta
falta
o mesmo sal de farinha
Não
acaba
não
desespero disfarçado
em sinais
de fumaça
Troque as palavras
um minuto de atenção
aparências não enganam
não



Não importa o que você faça
alguém sempre vai te achar
ridículo
E esse alguém
estará coberto
de razão
Preservar
cada
ridícula verdade



Tão perto desse afeto
imperfeição completa
Abre caminho
dispara
fez começar
Ainda sim
as ruínas dizem
muito
Mergulha
mal
A hora
do
diálogo
A arte
do dilúvio

No centro, em vermelho, parece estar escrito de forma espelhada:

ABRIR
O
MAR



Brilha então
os novos destinos
Veste a camisa
do seu clube
e passeia
pa
ga as contas
na loteria
da galeria
Oxford
Linguagem
das paisagens
Nós vemos
fundo
nos olhos
dessa América
daqui



Sala de projeção
alimenta a luz
reinventa o jogo
das sombras
Calor
Fortuna crítica
nesse pavimento
todas as coleções
são incompletas
No corpo
e no som
fa
ísca.



Navegou
no espaço
atalante
Atlântico ou nós
tudo se desfaz
A parte de tudo
a parte
Apenas mais um
verão
incompleto
Memento
abrace
a vida



Cena no botequim
durante a refeição
Todos os sons menos
as falas —
ou todas as
falas e nenhum
som no ambiente
Causando
total
deslocamento
sensorial




Nas mesmas
brechas do calendário
tempo dentro do tempo
Escapar
sempre
na chuva
na curva
ponto cego
Um minuto dessa glória
Percorrer o bairro a pé
assim num dia santo
esperar chegar o amarelo
Somos todos
farinha do mesmo
saco



Ainda olhando
o sol
de longe
Saindo
dessa terra
e o vazio
desse vão
Que sustenta
toda a sorte
do inesperado



O céu
Se via no canto
um sopro qualquer
desesperado...
Já passou
Olha a selva
de tantos séculos
agora...
já passou
Revolta
no céu respinga
distância
Buraco que o tempo cava
espera, espera
eterno
O sal de fruta
entardeceu




Fácil
des
gastar esses pés
por dentro
do próprio dentro
Mais ou menos na
metade do caminho
dá pra sentir
o pé torto
Que desvia sem parar
escapando
Da retidão
que
nos
consome



Ainda somos
ridículos
nesse
mesmo norte
Arrastados desses
aqui
derrete
um pouco
E vai
construir
outro
Tudo
é pouco
demais



Afunda
ali
a imagem
maré
Morre
a onda
na pedra
espuma
fica
e some
Imersão
no cais
gosto
de ver
os navios
Abano
o
ar
refresco
sobre
o
casco
Vida marinha



Fomenta
a
guerra
Disputa
Corre
esse
perigo
Amarga
em
vida
O sangue
que
corre



OK
venceu

você
Na vida
um dia
raiva
escapa
fica
vida
assume
o
controle
Tudo
e as notícias
na vida
Eles não
entenderam




Na cidade pequena
o museu era o cemitério
Visitando os edifícios
livres corredores
Abandono
pedra aguda
voando
A música
pelas escadas
Apaga a luz
acende



Diz
bom dia
retira a
dinâmica
O tratamento
é o processo
Sexta
rápido
vai na sombra
mundo
é minúsculo
Bambi
sabe o tom
da explosão
Faz bem passar
a mão pela cabeça
Foi assim da
outra vez
e da outra




Considere
pequeno desconhecido
a experiência
O ruído de tudo isso
força vital
que nos move
Grite no vizinho
me bebe da melancolia
pode até ser
exatamente isso
que você está pensando
Mas
é outra coisa
outra vivência
que acontece
onde ninguém
perceba




Correm pela noite da
criatura desamparada
Atrás de um ritmo
ou coreografia
que diga qualquer coisa
de real
Leva junto
toda a certeza
de amanhecer
Sente o tremor
desfaz o fim




Aqui
ainda
documento
relato
Sobre o magma dos dias
arremesso, as plumas de ganso
dos travesseiros
Tá todo mundo
agindo
Toda hora, uma nova
distopia para sonhar



ALGO
DOCE
NESSE
ASSOMBRO



O senso da culpa
materiais expostos
nas ruas e vãos
Mais do mesmo
treme a terra
Dia difícil
as horas dos pássaros
Ordem de cantos
no pico da castanheira
Tudo assim
no meio do caminho




Crônica
do
universo
Na mata fechada
a cor desmonta a paisagem
ou um brilho no entardecer
São tantos por aí, espalhando o olhar
Navegam, desfrutam da pouca tarde
As poças molham os pés
descalços



Na mesma tarde
desabrochando
Assim por quase todos os dias
fazer o arroz
esperar o café
Domesticar toda essa selvageria
Mastigar as horas
desacordadas
Andar quieto no amanhecer
antes mesmo do sol
Passo na calçada
amortecido
E outros continuam




Traz de volta
mesmo cansado
Agora somos todos uma só parte
Destravar o movimento
Contar o tempo
pela beirada
Na onda de um sonho
transformando
Tirar pedaços da beleza magra do dia
Passa o trem
Espera acabar a greve
dos Correios
Nadamos sempre nessa corrente
É veia exposta
nasce o sangue
Se deixa abraçar
pelo irmão



Cumprir essa meta
na pista salgada
uma só caminhada
O tempo e o tempo e o tempo
Sinal aberto, contando giro
disposição
O dia escolhe
o relógio e o palácio
Asfalto por baixo
correndo macio
Na curva fechada
dia que abriu
caminho de casa
Jornada que acaba
o corpo desata
A cara fechada
mais um que escapa
Caminho de casa
cidade da Baixa
Sou mais um que escapa
caminho de casa



É o resto da sobra
do que ficou
no dia de amanhã
É montar no cavalo
sem ver a altura
do tombo
Todo dia sai de casa
um que enche
um que esvazia
Na confusão, os cantos ocos
desse quarto do fundo
Um pouco, pouquinho que resta
desse embalo fora de festa
Pampa, pobre que ficou
Não tem barulho
que passe impune
Essa faca de dois gumes
que rasga
esse silêncio



Caminho de casa
Quem me abraça
se eu cair?
Na alta madrugada
fina cilindrada
curva acentuada
riscando a noite veloz
O tempo é papel
Nós aqui
sempre atentos
O procedimento é seguir
escapando nas encruzilhadas
O dia comum
é batalha
Cavalo de aço
transforma o ódio
em luta
Caminho de casa
um dia comum
é batalha








Agora simplesmente
A retidão dos afetos
acontece nas dobras
Nos estalos do cotidiano
É preciso ter os meios
mais do que os fins



Adormece
no meio do tumulto
Ela chama, pisca e vai
do outro lado, escapamos
Nas horas assim, similares
para o nada, algum
agradecimento para o ermo
Imagina pilotar
um jet ski
no mar
ou lagoa que seja
Bate no fundo do casco
sinto na sola do pé




Adormece
nas camadas mais finas do céu
Retiro esse extrato
prova real
Acumula o passado nessa curva
De todas as tardes
se gasta um pouco
do sonho
Sem planta de canto de rua
Beber tudo num gole só




Nem todos os tipos de afeto
obrigam do alto,
os topos dos prédios
Pousa e olha
Os meios de invadir o ar
matuta
Decolagem
De que lado morre o sol?
Pensa bem no vão
Constrói na paisagem um indício
de solo fértil
Boa tarde



A selva
dessa gente
Passa os olhos
rápido e já vai
A mesma
hora
Despista
o trajeto



Um bando só
nos muros erguidos
barrocos
encrustados
Tempo de espera alguma
na velocidade do viaduto
Nó que dá ouvir
Jesus alegria dos homens
Depois
o silêncio do túnel
Uma reflexão
sempre escapa



Nova camada
Nasce na fumaça
esse sono misturado
Arranha por onde passa
cola tudo nesse folhetim
Nas primeiras horas
dessa sexta-feira
Segue tudo suspenso
Partículas ainda maiores
por cima do olho
Imagem que passa
desenha a paisagem



São todas as promessas
da última estação
Acumula o sonho na escada
da igreja
Fica ali, tudo cinza
Espera



Santificado
seja
o nosso nome
em vão
Foca no fluxo
que carrega esse futuro
Uma chuva no dia da folga
então o rádio toca vazio
As coisas não nos alcançam mais
Celebra tudo em forma
Despista e remonta
a mecânica do dia
Lubrifica essa corrente



Na certa hora
do dia
Fugia a palavra
sem saber vestígio
Espera lembrar
tenta
Não vem
Assim vai
o caminho
No papel
fica
a ausência
riscada



Em volta
da mesma mesa
comemos o mesmo pão
De vez em quando
um respiro
toma de assalto
essa quietude
Mastiga o que não
vê
Na hora da tarde
estica o sol
na ponta
do sonho



A ideia
plantou aqui o desastre
No calor da hora
desperta
Lembra melodia
e vai
Pensa num nome bom
de filme
Então faz o roteiro
É do avesso
que se pesca
o oco da criação
Na moldura
fica só o quadro
No rascunho
uma
vida inteira



No assalto
furtivo da hora indigna
Empata pelo abandono
causa das circunstâncias
O vaidoso não
esse não merece
Nada além
da sobra
Desaba
É muita coisa importante
instante
Flagra o deslize
da palavra
A parede
que sustenta
não toca o chão
Espera ainda mais
O que parecia óbvio
agora é oblíquo
Canto sem beira



O instante exato agora
íntimo mergulho
distúrbio do sono
intervalo de viagem
lembra esquece
recorda
O instante exato agora
íntimo mergulho
distúrbio do sono
intervalo de viagem
lembra esquece
recorda
Agora
o isso ou aquilo
chuta a bola
sente o peso
arremesso
Desafia as leis da física
é tudo coisa da nossa cabeça




Absurdo
distante
Os bairros se arriscam
no sol
Salvaguarda
absurdo, distante
Amor seco
na rodovia
Pulo susto
puro suco
Disso
aqui



Ainda diante
da possibilidade
Pelos muros, são todos parte
no fundo da espelunca
Se acalma
Pelos mortos passamos
dizem pro vento
palavra qualquer
Diante de tudo
a possibilidade nos comove
Nos transforma



Descartável
O real engenho
começa no botequim
dispara essa dor
Lava os pés
imperativos nos consomem
Refaz o caminho todo
encontra o erro
e
agradece



A ideia mágica do absurdo
que embala nossa paz
Os muitos engodos das vontades
que afirmam... nessa travessia nenhuma
Nossos amores diários
de criação desfeitos



Sentinela amigo
que vigia
os intervalos inesperados
Olha em volta
desenha na cabeça
miragem
Reflete sobre sua azia
branda
É sempre véspera
da queda
e do gozo
Puxa fundo
um rabisco
certeiro
Deixa o traço
levar embora
esse agora



Fazer dos anos
catedrais
Cadeiras vazias no auditório
ouve atento
de onde vem o ruído
Colocar as cortinas
em seu devido lugar
























































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