sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

CrÔnIcA

 Ao mesmo tempo caminho dentro de uma crônica do suplemento do jornal de bairro, divago no cinza sujo da folha áspera de gramatura mais leve que esse ar carregado da Barão do Bom Retiro duas e vinte da tarde.

Desço um refrigerante pela garganta na cantina italiana de comida congelada onde eles colocam azeitona em tudo que podem tocar. Me preparo para seguir pela sombra que mesmo que pouca ainda sim é sombra, por onde estão meus iguais de tênis sujos e camisas suadas contando o dinheiro da passagem. Lembrei então do meteoro que vi em outubro, parece que foi ontem

Na janela do ônibus a vida é bela

Ciferal

Ciferal

Padron Cidade II

Ciferal

De Ramos para o mundo

Já estamos na Praça da Bandeira onde se perde um pouco de fé todos os dias, aqui os carros são criados sem cercas, já na uruguaiana fico livre para profanar os costumes sadios que tento manter nas segundas-feiras. Arremesso alguns olhares no horizonte de cabeças e vejo um conhecido na outra calçada mas consigo despistar o acaso.

Não sabia dessa pandemia, se soubesse me esbaldava nos cafés e comia duas Madrileñas na Manon perdia um dia ou dois nos sebos da Tiradentes, descia a Rio Branco e subia pelo Arco do Teles, Praça XV, CEP: 20010-010.

Ao mesmo tempo, mesmo.


primeira parte do todo