quarta-feira, 15 de setembro de 2021

P_EM_

 No crânio ciborgue atravessado no corredor

lembrou o busto de Kafka em Praga

no sol

inventado

aqui e agora é sempre uma ficção científica 

um tiro

escadas vazias do edifício

luzes

matéria e metal

vozes

animais inventados por toda a parte

cena de crime

navio mercante 

no porto

longe das águas

fuga

um poeta português também embarca

viagem só de ida

na tripulação a polícia procura os inocentes

o horizonte se aproxima

o jantar é servido

os robôs contaminam a água

por isso se bebe leite

e suco de melancia

Chegamos no mesmo porto

o poeta retorna ao apartamento

e verifica se o ciborgue ainda não está vivo.


segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Quadro Número 1 - Sala de estar

 Animal

no meio da pintura

em chamas

os abraços não podem conter o fogo

Vermelho Cádmio

Amarelos diversos

já mergulham fumaça

sem cheiro

Tudo queima os olhos nus

os verdes poucos já

ainda sobrevoam ocres de tanto ferro que escorre da paisagem.


sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Garagem

 Os tijolos em geometria 

erguendo o prédio

essa agonia

essa vertente

corta seco

cabisbaixo 

padeço

desse viver

de andar em andar

engenharia que desaba

ilusão do subsolo

mergulhado no cinza carbônico 

onde os corpos se esbarram nas madrugadas e manhãs dos dias úteis

estaciono


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

 O futuro fracassou

e nossas mão atadas 

puxando até o talo

o freio de mão da História.

O futuro fracassa, os pássaros ainda cantam na noite

Só nos resta o flâneur desesperado com o preço do café/

a gota mágica que se pinga nos olhos e anestesia o corpo/

Embalsamados, os sonhos nas vitrines /

Fragmentos de brilho, aqui e ali, onde a lama não tocou

antes fosse lama]

e não ódio.

primeira parte do todo