quarta-feira, 15 de setembro de 2021

P_EM_

 No crânio ciborgue atravessado no corredor

lembrou o busto de Kafka em Praga

no sol

inventado

aqui e agora é sempre uma ficção científica 

um tiro

escadas vazias do edifício

luzes

matéria e metal

vozes

animais inventados por toda a parte

cena de crime

navio mercante 

no porto

longe das águas

fuga

um poeta português também embarca

viagem só de ida

na tripulação a polícia procura os inocentes

o horizonte se aproxima

o jantar é servido

os robôs contaminam a água

por isso se bebe leite

e suco de melancia

Chegamos no mesmo porto

o poeta retorna ao apartamento

e verifica se o ciborgue ainda não está vivo.


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