No crânio ciborgue atravessado no corredor
lembrou o busto de Kafka em Praga
no sol
inventado
aqui e agora é sempre uma ficção científica
um tiro
escadas vazias do edifício
luzes
matéria e metal
vozes
animais inventados por toda a parte
cena de crime
navio mercante
no porto
longe das águas
fuga
um poeta português também embarca
viagem só de ida
na tripulação a polícia procura os inocentes
o horizonte se aproxima
o jantar é servido
os robôs contaminam a água
por isso se bebe leite
e suco de melancia
Chegamos no mesmo porto
o poeta retorna ao apartamento
e verifica se o ciborgue ainda não está vivo.
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