sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

 O desembarque em Omaha beach

afogo o horizonte

respiro

incorporo o movimento

ouço o mar

nos olhos do soldado caído.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

 Dissolvo a máquina no seu ventre

discuto com as linguagens curvas

rabisco o erro.

Transformo a energia dissipada em átomos de sonho

escrevo o universo em poucas linhas e sem pontuação

me reconheço

no meio 

de tantos outros

e navego nesse lindo desespero.

sábado, 9 de janeiro de 2021

Toco com os lábios as entranhas dos verbos que despencam. 

é o fim

da tarde

e a noite

engole os homens.

Pane seca, os corpos caem, um por um.

O luminoso da lanchonete amortece a melancolia

consumo.

Acontece sempre.

 dos ruídos 

 das sombras

  dos ventos que voamos

selvagem me deito no furacão.

Respiro o tumulto 

arrasto no asfalto as ideias

escombro as palavras sonho

perfuro as imagens e penduro no varal

deixo secar e recolho no pôr do sol.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

 Bem longe, na canção que morreu. 

Deito onda na pedra,

esculpo ali

com o peso do meu ar

um corpo qualquer de monumento dos fatos,

monumento dos verbos escorridos pelas calhas dessa chuva 

Um monumento não erguido, porém imerso.

Elegia ao subterrâneo que sustenta todas as cruzes da superfície.

Bem longe, na estação AM no vagão de trem, ouço tudo.

Deito trilho na terra,

e ergo ali outro monumento imerso.

primeira parte do todo