terça-feira, 23 de março de 2021

 Uma ode aos avessos

pequenos tropeços nos dias claros.

Um canto aos difusos

que partem os espelhos e rompem

simplesmente rompem

enquanto esperam.

De todos os cantos, os pertos dos muros são melhores, na margem da sombra rala

raspando o braço no chapiscado que rodeia a realidade.

Escorre pelo canto da boca, uma pequena dose de violência com um amargo perdão na língua, engulo.

Na curva arde o sol de cemitério, os corpos em esfinges e também retratos ovais em molduras douradas com início e fim e só. Passando o cemitério tem a cidade dos vivos que mandam flores e rezam.

Alguns dançam nas obras inacabadas inventando músicas para suportarem o peso do céu, os vivos são assim, ainda que ossos em movimento produzem também palavras, e isso faz toda a diferença.

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