O apocalipse do outro, rasgar a cortina, deixar uma pegada no cimento fresco da porta do Sport club Mackenzie. Medir as proporções dos tombos, na hora final do dia imagino esse giro
roda do skate, motor em marcha lenta.
Na terceira pessoa da fila do caixa, disparo
Retrato.
Limão e pasta de dente
Débito.
Aproximação.
Se amontoam nas curvas, todos nós ali, portão da escola, sorveteria.
A cidade engole cada pequeno caso isolado de sobrevivência
Respirar nessas arestas
O dia de frente
Despisto pelos caminhos cada pedaço da vertigem que sustenta a estrutura
Processos naturais humanos
anunciam a tempestade
esperamos
nas horas imagem
imagem quadrada
forçar esse encontro
esperamos
nas veias abertas
só o que jorrava
era só
esperamos
Resposta suspensa
decifrar o sonho logo cedo
construir a mesma cerca em volta disso tudo
criar no vão
para o vão
e ir
salvar
como
Avolumar
todas as geometrias
planas
conjuntar esses horizontes em uma mixtape
construir cabeças cortadas
pensar o fim da memória
ver o que fica no final das contas
em todo esse infinitivo
impera
um mesmo rumo
Força fraca que vem, treme e acelera
no eco do ginásio vazio
ou beira de rio sem barco
cabeça acessa na imensidão do intervalo
Sobras que narram o todo
nos pequenos pedaços deslocados
montamos esse quebra-cabeças
no desenho
uma paisagem
figura
profundidade e latitude
rasura no canto da tela
agora exposto
no canto da parede
no centro da sala
diante da mesa com certeza
ninguém chama.
Amanhã
volta ao mercado
pois é disso que a vida é feita.
Passar pela calçada do Sport club Mackenzie
procurar o passo
torto, torto, sinceramente torto, a beleza é algo áspero e repetitivo
acontece assim, toda vez que chove, perde o sono e fica vibrando.
Camada em cima de camada, escurece o futuro, fruto amargo
na visão periférica, aparece a paisagem, recomeço da recaída , mesmo ouvindo Simon e Garfunkel não deixei ninguém feliz. Essas mundanas coisas, vemos através do espelho
no eco do ginásio vazio
toca na rádio
delírio dessa terra
a trupe chega na cidade
ainda não nos acostumamos com esse tanto de fim.
Ironia é todo o dia
das mortes mínimas entre os cafés
palavras de ordem
abec 9
deslize
inútil frequentar essa calçada
já se passaram dois dias nas últimas duas horas
nenhum aeroporto tem nome de mulher
quase nenhum
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