segunda-feira, 9 de maio de 2022

 flamejante

doce

entupindo cada noite

cada forte sensação

de ardor

suspiro de véspera

a figura do ouroboros calcinada 

ainda assim é breve a passagem

canto

a cidade toma o silêncio pelas mãos

e amanhece,

sexta-feira, 6 de maio de 2022

 Eles achavam que iriam sair da merda

arrancaram os anos com os dentes

despencaram os dias numa nuvem de velhas ideias

na porta do prédio 

eles removem a árvore

que corta o poste

que corta a energia

e me prende no elevador

imagino

onde comprar pastrami

onde tomar um café

ainda inocentes pela calçadas

saltam os galhos mortos

no final tudo se resolve

eles achavam

e agora respiram]sem a ajuda de aparelhos.


quinta-feira, 3 de março de 2022

 não existe tempo para visitar o museu de história natural

não existe o tempo

o tempo de fluir vai

quando começam a cair bombas

sobra o café frio, as coisas adiadas se acumulam nas estantes

não existe tempo para assistir o novo filme do Batman

não existe o tempo e tudo que não é vivo

é morrer aos poucos

é ficar na fila de espera sem um livro para ler

é perder o bloco de anotações espontâneas colecionadas no trasporte público

tomar café sem ouvir rádio

almoçar sem televisão

cagar sem jornal

fumar sem refletir

não existe tempo para ter


domingo, 27 de fevereiro de 2022

 Um prego amarelo

na cena formada no canto

a baguete no centro da mesa

a toalha de rosto apoiada na quina

na sobra do dia

na hora que faltou

quando derrubaram o domingo na soleira da porta

ficou o suor e a mão parada no ar

foi quando o vizinho gritou e distraiu o gato sem nome

no telhado morno

foi o golpe final 

no intervalo do jogo

cigarro na varanda

papeís carregados de pesos de pedra azul

uma doce conclusão sai de uma boca no bar

do outro lado da rua

Viva Ringo Starr!

Viva o poeta James Marshall Hendrix!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

 E outras bobagens

solavancos nessa estrada de futuro

a rocha observa a palavra adormecida

uma ilha

assim como nós

que partimos

parados esperando a razão falar mais alto

praticamente um grito

dentro do capacete

na garupa da CG

na pista da esquerda da Brasil

tanta vida

tanto óleo na pista.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

#@ristóteles

 Por vezes caminhando

substância

Vozes e fotografias

o edifício vazio na capa do seu livro

um poeta inglês do século XVII.

Os cavalos já foram asas e agora são trilhos

são toques em botões sem rédeas

os pedaços já não formam

nada além de outros pedaços.

Progresso 

represa de gesso que cerca nossa cidade.

Os mapas se moldam nos passos aflitos desenhando trajetos improvisados

corpo-pensamento

substância

é sobre isso

e tá tudo bem.

primeira parte do todo