quarta-feira, 6 de julho de 2022

 Na nebulosa que atravessa o consultório do dentista

ali pensamento se cria

só forma

linguagem do vão

entres as colunas do sonho e as paredes celulares

o jogo

é ser suor

fracasso na lama

que merece existir.

além disso precisamos sempre do indefinível que permeia as horas que escapam pelas estreitas formas fixas do relógio.

quinta-feira, 23 de junho de 2022

 Sal, assim também com esse vento pesado correndo na nossa sombra

esperando o personagem passar na porta da loja

assim é complicado

como saber das plantas o sol

ou ser o círculo antes da forma

Leio os periódicos

nada de novo

Cardoso Pires sem emoção

que fascínio

sem memória

mais um poeta se atira no vulcão

não escreveu nada mais do que duas linhas sobre a elegância do tablete de chocolate branco

as coisas caminham pelas virtudes que despencam das horas nubladas empurradas pelos pulos dos ponteiros.


segunda-feira, 9 de maio de 2022

 flamejante

doce

entupindo cada noite

cada forte sensação

de ardor

suspiro de véspera

a figura do ouroboros calcinada 

ainda assim é breve a passagem

canto

a cidade toma o silêncio pelas mãos

e amanhece,

sexta-feira, 6 de maio de 2022

 Eles achavam que iriam sair da merda

arrancaram os anos com os dentes

despencaram os dias numa nuvem de velhas ideias

na porta do prédio 

eles removem a árvore

que corta o poste

que corta a energia

e me prende no elevador

imagino

onde comprar pastrami

onde tomar um café

ainda inocentes pela calçadas

saltam os galhos mortos

no final tudo se resolve

eles achavam

e agora respiram]sem a ajuda de aparelhos.


quinta-feira, 3 de março de 2022

 não existe tempo para visitar o museu de história natural

não existe o tempo

o tempo de fluir vai

quando começam a cair bombas

sobra o café frio, as coisas adiadas se acumulam nas estantes

não existe tempo para assistir o novo filme do Batman

não existe o tempo e tudo que não é vivo

é morrer aos poucos

é ficar na fila de espera sem um livro para ler

é perder o bloco de anotações espontâneas colecionadas no trasporte público

tomar café sem ouvir rádio

almoçar sem televisão

cagar sem jornal

fumar sem refletir

não existe tempo para ter


domingo, 27 de fevereiro de 2022

 Um prego amarelo

na cena formada no canto

a baguete no centro da mesa

a toalha de rosto apoiada na quina

na sobra do dia

na hora que faltou

quando derrubaram o domingo na soleira da porta

ficou o suor e a mão parada no ar

foi quando o vizinho gritou e distraiu o gato sem nome

no telhado morno

foi o golpe final 

no intervalo do jogo

cigarro na varanda

papeís carregados de pesos de pedra azul

uma doce conclusão sai de uma boca no bar

do outro lado da rua

Viva Ringo Starr!

Viva o poeta James Marshall Hendrix!

primeira parte do todo