quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

rap/end

 Um livro com capa bonita pendurado na estante junto com os dias que me sento e ouço.

paranoid

a sede aplaca a fúria sobre a seca do desconhecido que cicatriza pelas vísceras desses corpos encolhidos na tarde

mais simples é tomar o sol, simplesmente como um trunfo e não infortúnio dos desabrigados

atrás das pulgas as orelhas saltam os urros, gritos e janelas que carregam o fim do mundo

o editor não viu isso, deixou passar, assim, como quem mastiga o milho não-pipoca

gruda tudo no céu

da boca

tem tudo uma resposta

fugas das vias

de fatos

construção

destroço

caroço estranho no pescoço

que pulsa

como quem diz

final feliz.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

 Ainda sobre os mortos

Hiroshima outras metáforas

a bomba já não faz efeito.

Uma valsa que dançamos parados

com os olhos navegantes

depois de tantas gotas de antipsicóticos 

que fazem mais efeito que qualquer bomba

só que a explosão é inversa

Nu Hotel Sacada Janela Frio

A melancolia é esse incenso que invade e fica

a névoa.

Sempre temos o futuro para planejar 

derrubar os edifícios

roubar cones

incendiar portões

parar no posto de gasolina

e falar sobre os mortos.




terça-feira, 11 de outubro de 2022

4B

pisando nos minutos como quem mergulha]redenção

assim de braços dados com esferas ansiolíticas que arremesso em acrobacias para o tubo digestivo, assim também temos fome e vontade de voltar no tempo e também ter fome, a crua força dos braços erguidos até cansar, todos os choques na cabeça expulsando sentimentos invonlutários, perdi meu lápis preferido.

talvez fique melhor aqui


perdi meu lápis preferido.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Clima Tempo

 nAvega

outras sintonias

a hora da virada

é o minuto solene

entre o ar e o grito.


Tanto faz

outras melodias

que roem

a corda que nunca arrebenta

é só tensão e fio.


Agouro

nos sopros ventos

furacão ao pé do ouvido

zunido

estronda.


A pouca roupa do vulcão

desnuda

lava

a terra

nas horas simples que escoram o sol e derrubam as estátuas.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

 Um longo poema

cheio de palavras que terminam

um longo poema é feito de versos sutis que encaminham as cabeças por um labirinto erguido com paredes transparentes

tem partes/blocos/capítulos/estrofes tudo num céu amarelado em fonte Garamond

é feito de batalhas perdidas e dias recusados

os verbos presentes são vazios, que inflam um balão até tocar a ponta da agulha do outro lado da sala

cada pronome é íntimo, uma geografia do corpo traduzido em gramática

e tem a pólvora, que amarra toda a inspiração com faíscas, emoldurando o poema nos enquadramentos das páginas possíveis

o longo poema é uma coleção de palavras, um dicionário desmontado e reorganizado por ordem do afeto

...

terça-feira, 12 de julho de 2022

 A macróbia cidade

sentada no assento laranja do metrô/

o nosso metropolitano

se desfaz/

subsolos e mais subsolos

aquela ideia de esquecimento

a sensação da falta

confiro os bolsos e verifico os trincos

acerto o nariz em volta dos óculos

acerto o troco da xerox

pesquiso os efeitos da acetilcisteína

que me deixa expectorar cada pequena lembrança

 96 degrees In the shade

e quanta sombra até formar uma noite densa

estação terminal

desembarque é obrigatório.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

 Na nebulosa que atravessa o consultório do dentista

ali pensamento se cria

só forma

linguagem do vão

entres as colunas do sonho e as paredes celulares

o jogo

é ser suor

fracasso na lama

que merece existir.

além disso precisamos sempre do indefinível que permeia as horas que escapam pelas estreitas formas fixas do relógio.

primeira parte do todo