quinta-feira, 16 de maio de 2024

na garganta

 Nenhuma sugestão relevante

O valor dos escombros

da essência e do fenômeno

Um quadro,

 corpo e existência.    uma cura


violência esquecida

lentas sombras 

céu da casa

apagar


sábado, 24 de fevereiro de 2024

 A morte ama

sucumbir

uma possível teoria dos vulcões, calor e brilho

piscar, suor na nuca

descer do carro no acostamento

o primeiro gole da sede

tornar visível a trajetória

solo ígneo


"Cinza é toda teoria, mas verde é a árvore da vida, cinza é toda teoria que se fecha à razão e verde e toda teoria que liberta a razão". Johann Wolfgang Von Goethe

um amor sem segundo

se desmonta

nas sobras

das horas.

Ainda é possível ouvir os automóveis na rodovia

se acostumar ao magma que arrefece e amortece

girar esses transes no abrigo da sombra.

a morte ama

a espera.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

 A planta respira

o tempo vira

contra a parede

o ventilador amacia

o giro do motor

navega pelas constelações mecânicas

todos ponderam no final da discussão

deixamos a melancolia no batente da janela

fazer o café

esperar esfriar

requentar o café

queimar a língua

esperar a visita

visitar a espera.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

 Quanto tempo

para cozinhar um ovo

ainda é cedo 

e ferve

os azulejos relatam

os silêncios dos intervalos

rochas erguidas

o sol é dos cavalos na praça

os ovos festejam o fim

passar água por entre

escorrer.

Misturar o vermelho com essa fome

iludir as palavras no molhar da pia

outra ilha

desenhar a fumaça

que se arrisca

na luz.

Rompe a casca

invade o novo

com as pontas dos dedos.


quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

 por entre

seguir

anotar os pedaços

colar os recortes

nas paredes

compor assim uma canção

para suportar

o automóvel pegou fogo

na rua Rosa e Silva

mas ainda assim

a tarde seguiu seu rumo

recortar também essa chama

transparente no capô da Elba

colar junto

com o livro não encontrado

com o rádio que só pega 3 estações

e a cafeteira italiana

seguir

conferir as chaves no bolso

dominar os elefantes com as mãos

rasteia 

no fundo

uma imagem

que fica

colada ali

nas paredes do naufrágio.


sexta-feira, 3 de novembro de 2023

 ainda nos outros caminhos disfarçar

atropelado no feriado

o asfalto é o céu

controlar as luzes e as emoções

interromper a perseguição

desfrutar da ilusão

a estupidez sempre na espreita, esperando um brecha para agir

quanto tempo calado

sobre a guerra escrevem os jornalistas

e morrem os leitores

publicam o puro suco

de sangue fresco

imagens fortes

marca de tiro na lataria

sobrevivem 

e ainda pensam em filhos


sábado, 7 de outubro de 2023

Olhar os atravessados,segurar o escarro no vão da língua
esperar as mercadorias chegarem e ver o que basta
deslocar cada pequeno futuro
fragmentar a felicidade em goles de susto
mais um caso clínico
o quadro é estável
até não ser mais
e depois voltar a ser de novo
despejar nessa conversa a noite
mesmo que seja tarde
ver a coloração do lusco-fusco
tomar as cores das coisas
carregar toda a ficção que os ombros podem suportar
isso que são as faltas
olhar o termômetro 
cuspir.

primeira parte do todo