terça-feira, 16 de julho de 2024

Arruda

 Arremesso

beijo no asfalto

arremato

toda poeira varrida no ar

trechos da via apagados

pare e siga

como quebra de página

aterrisso

na rua progresso


já sabendo o fim

mesmo assim

retornar 

na queda.

quarta-feira, 19 de junho de 2024

oRiGeM

 Em looping

nessa ideia de serenar

ainda que a vida aconteça e possa acabar em uma freada na Marechal Rondon

onde só existe o silêncio

falas urbanas

De rerum natura

todas as substâncias circulando por aí

dipirona nesse fim de dia

contra a luz

nothing gold can stay

ouvi no rádio

nesse dia a natureza deixou de ser selvagem

era um cavalo passeando na praça

cabisbaixo 

pediu para o DJ tocar um réquiem em ré menor

dançou na piscina se afogando em pensamentos

vez em quando afundava e acabava o mundo.


quinta-feira, 16 de maio de 2024

na garganta

 Nenhuma sugestão relevante

O valor dos escombros

da essência e do fenômeno

Um quadro,

 corpo e existência.    uma cura


violência esquecida

lentas sombras 

céu da casa

apagar


sábado, 24 de fevereiro de 2024

 A morte ama

sucumbir

uma possível teoria dos vulcões, calor e brilho

piscar, suor na nuca

descer do carro no acostamento

o primeiro gole da sede

tornar visível a trajetória

solo ígneo


"Cinza é toda teoria, mas verde é a árvore da vida, cinza é toda teoria que se fecha à razão e verde e toda teoria que liberta a razão". Johann Wolfgang Von Goethe

um amor sem segundo

se desmonta

nas sobras

das horas.

Ainda é possível ouvir os automóveis na rodovia

se acostumar ao magma que arrefece e amortece

girar esses transes no abrigo da sombra.

a morte ama

a espera.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

 A planta respira

o tempo vira

contra a parede

o ventilador amacia

o giro do motor

navega pelas constelações mecânicas

todos ponderam no final da discussão

deixamos a melancolia no batente da janela

fazer o café

esperar esfriar

requentar o café

queimar a língua

esperar a visita

visitar a espera.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

 Quanto tempo

para cozinhar um ovo

ainda é cedo 

e ferve

os azulejos relatam

os silêncios dos intervalos

rochas erguidas

o sol é dos cavalos na praça

os ovos festejam o fim

passar água por entre

escorrer.

Misturar o vermelho com essa fome

iludir as palavras no molhar da pia

outra ilha

desenhar a fumaça

que se arrisca

na luz.

Rompe a casca

invade o novo

com as pontas dos dedos.


quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

 por entre

seguir

anotar os pedaços

colar os recortes

nas paredes

compor assim uma canção

para suportar

o automóvel pegou fogo

na rua Rosa e Silva

mas ainda assim

a tarde seguiu seu rumo

recortar também essa chama

transparente no capô da Elba

colar junto

com o livro não encontrado

com o rádio que só pega 3 estações

e a cafeteira italiana

seguir

conferir as chaves no bolso

dominar os elefantes com as mãos

rasteia 

no fundo

uma imagem

que fica

colada ali

nas paredes do naufrágio.


primeira parte do todo