quarta-feira, 7 de agosto de 2024

 escapar da primeira

pessoa

engarrafada

então vem o enxame de nós

e varre.

As plantas carnívoras da coleção no mezanino

também na mesma

agonia

de aguardar o pouso

o gesto de Platão/aponta o oposto

Caetano canta Charles 

Anjo 45

no micro system Aiwa

7 cds

6 de Agosto aqui na amendoeira

tremor sensível

pátio do colégio

voz do Brasil

nomear essa rua nova que atravessa.


terça-feira, 16 de julho de 2024

Arruda

 Arremesso

beijo no asfalto

arremato

toda poeira varrida no ar

trechos da via apagados

pare e siga

como quebra de página

aterrisso

na rua progresso


já sabendo o fim

mesmo assim

retornar 

na queda.

quarta-feira, 19 de junho de 2024

oRiGeM

 Em looping

nessa ideia de serenar

ainda que a vida aconteça e possa acabar em uma freada na Marechal Rondon

onde só existe o silêncio

falas urbanas

De rerum natura

todas as substâncias circulando por aí

dipirona nesse fim de dia

contra a luz

nothing gold can stay

ouvi no rádio

nesse dia a natureza deixou de ser selvagem

era um cavalo passeando na praça

cabisbaixo 

pediu para o DJ tocar um réquiem em ré menor

dançou na piscina se afogando em pensamentos

vez em quando afundava e acabava o mundo.


quinta-feira, 16 de maio de 2024

na garganta

 Nenhuma sugestão relevante

O valor dos escombros

da essência e do fenômeno

Um quadro,

 corpo e existência.    uma cura


violência esquecida

lentas sombras 

céu da casa

apagar


sábado, 24 de fevereiro de 2024

 A morte ama

sucumbir

uma possível teoria dos vulcões, calor e brilho

piscar, suor na nuca

descer do carro no acostamento

o primeiro gole da sede

tornar visível a trajetória

solo ígneo


"Cinza é toda teoria, mas verde é a árvore da vida, cinza é toda teoria que se fecha à razão e verde e toda teoria que liberta a razão". Johann Wolfgang Von Goethe

um amor sem segundo

se desmonta

nas sobras

das horas.

Ainda é possível ouvir os automóveis na rodovia

se acostumar ao magma que arrefece e amortece

girar esses transes no abrigo da sombra.

a morte ama

a espera.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

 A planta respira

o tempo vira

contra a parede

o ventilador amacia

o giro do motor

navega pelas constelações mecânicas

todos ponderam no final da discussão

deixamos a melancolia no batente da janela

fazer o café

esperar esfriar

requentar o café

queimar a língua

esperar a visita

visitar a espera.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

 Quanto tempo

para cozinhar um ovo

ainda é cedo 

e ferve

os azulejos relatam

os silêncios dos intervalos

rochas erguidas

o sol é dos cavalos na praça

os ovos festejam o fim

passar água por entre

escorrer.

Misturar o vermelho com essa fome

iludir as palavras no molhar da pia

outra ilha

desenhar a fumaça

que se arrisca

na luz.

Rompe a casca

invade o novo

com as pontas dos dedos.


primeira parte do todo