segunda-feira, 17 de outubro de 2022

 Ainda sobre os mortos

Hiroshima outras metáforas

a bomba já não faz efeito.

Uma valsa que dançamos parados

com os olhos navegantes

depois de tantas gotas de antipsicóticos 

que fazem mais efeito que qualquer bomba

só que a explosão é inversa

Nu Hotel Sacada Janela Frio

A melancolia é esse incenso que invade e fica

a névoa.

Sempre temos o futuro para planejar 

derrubar os edifícios

roubar cones

incendiar portões

parar no posto de gasolina

e falar sobre os mortos.




terça-feira, 11 de outubro de 2022

4B

pisando nos minutos como quem mergulha]redenção

assim de braços dados com esferas ansiolíticas que arremesso em acrobacias para o tubo digestivo, assim também temos fome e vontade de voltar no tempo e também ter fome, a crua força dos braços erguidos até cansar, todos os choques na cabeça expulsando sentimentos invonlutários, perdi meu lápis preferido.

talvez fique melhor aqui


perdi meu lápis preferido.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Clima Tempo

 nAvega

outras sintonias

a hora da virada

é o minuto solene

entre o ar e o grito.


Tanto faz

outras melodias

que roem

a corda que nunca arrebenta

é só tensão e fio.


Agouro

nos sopros ventos

furacão ao pé do ouvido

zunido

estronda.


A pouca roupa do vulcão

desnuda

lava

a terra

nas horas simples que escoram o sol e derrubam as estátuas.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

 Um longo poema

cheio de palavras que terminam

um longo poema é feito de versos sutis que encaminham as cabeças por um labirinto erguido com paredes transparentes

tem partes/blocos/capítulos/estrofes tudo num céu amarelado em fonte Garamond

é feito de batalhas perdidas e dias recusados

os verbos presentes são vazios, que inflam um balão até tocar a ponta da agulha do outro lado da sala

cada pronome é íntimo, uma geografia do corpo traduzido em gramática

e tem a pólvora, que amarra toda a inspiração com faíscas, emoldurando o poema nos enquadramentos das páginas possíveis

o longo poema é uma coleção de palavras, um dicionário desmontado e reorganizado por ordem do afeto

...

terça-feira, 12 de julho de 2022

 A macróbia cidade

sentada no assento laranja do metrô/

o nosso metropolitano

se desfaz/

subsolos e mais subsolos

aquela ideia de esquecimento

a sensação da falta

confiro os bolsos e verifico os trincos

acerto o nariz em volta dos óculos

acerto o troco da xerox

pesquiso os efeitos da acetilcisteína

que me deixa expectorar cada pequena lembrança

 96 degrees In the shade

e quanta sombra até formar uma noite densa

estação terminal

desembarque é obrigatório.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

 Na nebulosa que atravessa o consultório do dentista

ali pensamento se cria

só forma

linguagem do vão

entres as colunas do sonho e as paredes celulares

o jogo

é ser suor

fracasso na lama

que merece existir.

além disso precisamos sempre do indefinível que permeia as horas que escapam pelas estreitas formas fixas do relógio.

quinta-feira, 23 de junho de 2022

 Sal, assim também com esse vento pesado correndo na nossa sombra

esperando o personagem passar na porta da loja

assim é complicado

como saber das plantas o sol

ou ser o círculo antes da forma

Leio os periódicos

nada de novo

Cardoso Pires sem emoção

que fascínio

sem memória

mais um poeta se atira no vulcão

não escreveu nada mais do que duas linhas sobre a elegância do tablete de chocolate branco

as coisas caminham pelas virtudes que despencam das horas nubladas empurradas pelos pulos dos ponteiros.


primeira parte do todo