quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

 A comida mantém a família feliz

ambrosia

as casas vestidas com os trajes riscados de giz

na caixa de sapatos cartões postais contam os passos

as quedas se acumulam no corredor

tem um vulcão

desenhado na parede

deitam no sofá

observam

café

deu no rádio qualquer coisa

de absurda 

abre janela

fecha janela

é tarde

no violão faltam duas cordas

na cristaleira/

um abismo

no quintal é sempre domingo

na pouca sombra do limoeiro

circulador de ar

velocidade três


a tarde se desfaz


quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

rap/end

 Um livro com capa bonita pendurado na estante junto com os dias que me sento e ouço.

paranoid

a sede aplaca a fúria sobre a seca do desconhecido que cicatriza pelas vísceras desses corpos encolhidos na tarde

mais simples é tomar o sol, simplesmente como um trunfo e não infortúnio dos desabrigados

atrás das pulgas as orelhas saltam os urros, gritos e janelas que carregam o fim do mundo

o editor não viu isso, deixou passar, assim, como quem mastiga o milho não-pipoca

gruda tudo no céu

da boca

tem tudo uma resposta

fugas das vias

de fatos

construção

destroço

caroço estranho no pescoço

que pulsa

como quem diz

final feliz.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

 Ainda sobre os mortos

Hiroshima outras metáforas

a bomba já não faz efeito.

Uma valsa que dançamos parados

com os olhos navegantes

depois de tantas gotas de antipsicóticos 

que fazem mais efeito que qualquer bomba

só que a explosão é inversa

Nu Hotel Sacada Janela Frio

A melancolia é esse incenso que invade e fica

a névoa.

Sempre temos o futuro para planejar 

derrubar os edifícios

roubar cones

incendiar portões

parar no posto de gasolina

e falar sobre os mortos.




terça-feira, 11 de outubro de 2022

4B

pisando nos minutos como quem mergulha]redenção

assim de braços dados com esferas ansiolíticas que arremesso em acrobacias para o tubo digestivo, assim também temos fome e vontade de voltar no tempo e também ter fome, a crua força dos braços erguidos até cansar, todos os choques na cabeça expulsando sentimentos invonlutários, perdi meu lápis preferido.

talvez fique melhor aqui


perdi meu lápis preferido.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Clima Tempo

 nAvega

outras sintonias

a hora da virada

é o minuto solene

entre o ar e o grito.


Tanto faz

outras melodias

que roem

a corda que nunca arrebenta

é só tensão e fio.


Agouro

nos sopros ventos

furacão ao pé do ouvido

zunido

estronda.


A pouca roupa do vulcão

desnuda

lava

a terra

nas horas simples que escoram o sol e derrubam as estátuas.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

 Um longo poema

cheio de palavras que terminam

um longo poema é feito de versos sutis que encaminham as cabeças por um labirinto erguido com paredes transparentes

tem partes/blocos/capítulos/estrofes tudo num céu amarelado em fonte Garamond

é feito de batalhas perdidas e dias recusados

os verbos presentes são vazios, que inflam um balão até tocar a ponta da agulha do outro lado da sala

cada pronome é íntimo, uma geografia do corpo traduzido em gramática

e tem a pólvora, que amarra toda a inspiração com faíscas, emoldurando o poema nos enquadramentos das páginas possíveis

o longo poema é uma coleção de palavras, um dicionário desmontado e reorganizado por ordem do afeto

...

terça-feira, 12 de julho de 2022

 A macróbia cidade

sentada no assento laranja do metrô/

o nosso metropolitano

se desfaz/

subsolos e mais subsolos

aquela ideia de esquecimento

a sensação da falta

confiro os bolsos e verifico os trincos

acerto o nariz em volta dos óculos

acerto o troco da xerox

pesquiso os efeitos da acetilcisteína

que me deixa expectorar cada pequena lembrança

 96 degrees In the shade

e quanta sombra até formar uma noite densa

estação terminal

desembarque é obrigatório.

primeira parte do todo