quinta-feira, 18 de junho de 2020

Chattanooga

I- O SONHO.

09:00 da manhã.
Acordo.
Quarta-feira.
Ao lado da cama guardo um pequeno caderno para anotar os sonhos ainda frescos.
Na cabeça, um nome; Chattanooga.
Também vi uma praça com crianças brincando e no edifício comercial alguém limpa as janelas.
Agora chove, caminho na chuva e no aquário da cidade 
mergulho.


II- A SELVA.

A paisagem é livre, um imigrante armado anda pelas ruas.
A paisagem é selva, um conjunto de traços e riscos.
Desenho um coração no meu peito.
Navego pelas ruas de Chatanooga.
Navego porque todas as cidades são iguais, mesmo com tantas noites dentro da noite.
Navego porque todos os homens são iguais
e despencam.

III- O SOPRO

O vulcão.
A terra recebe o fogo e acalma a brasa.
O mundo é todo aqui.
Giro solto no espaço.
Recorto a vida em pedaços de infinito
que colo no horizonte.

MEMÓRIA

Os olhos amassados, as palavras enterradas na garganta.
O azul do azulejo, azulejando, cada toque frio.
Cada outro eu, que trago aqui.
Na forma dessa cicatriz que vem e vai.
lembro.
Os olhos amassados, as palavras, os gestos,
que não me servem mais.
Coloco tudo na pedra.
E com um arremesso atiro essa pedra 
na vidraça do tempo.

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