o céu de outubro e todas as roupas jogadas nos cantos onde o amor acaba
o vento que traz
tudo
em objetos
de todos os tipos
plástico e vertigem
acompanho o vendaval e as plantas
na sacada.
balé das substâncias
que ocultam as cidades
o mistério do solo.
Ainda penso
no remendo da mochila e nos restos de afazeres
que as pessoas vivem tendo por aí
como se fosse prático viver.
Como se não fóssemos a base de qualquer um desses estereótipos rejeitados.
aguardo o tombo
com o peso da incerteza
no bolso vazio.
Em 26 minutos
coisas acontecem
eu consigo almoçar
e partir uma abóbora em dois
com uma faca cega.
desenho no verso do cartão de visitas
que tudo que importa é o sonho na palma da mão
compro um skate novo
ainda posso
ver um musical na sessão da tarde
e ligar para um amigo e não falar nada.
acumulo diários vazios e frases incompletas.
termino
o desenho
no cartão de visitas
construo uma linda narrativa
no edifício que desaba.
agora passa a bailarina de fumaça
e desintegra a realidade em um plie mal acabado.
Ainda ontem vi o cometa despencando em direção ao Andaraí.
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