sábado, 10 de outubro de 2020

céu de outubro

 o céu de outubro e todas as roupas jogadas nos cantos onde o amor acaba

o vento que traz

tudo 

em objetos

de todos os tipos

plástico e vertigem

acompanho o vendaval e as plantas

na sacada.

balé das substâncias

que ocultam as cidades

o mistério do solo.

Ainda penso

no remendo da mochila e nos restos de afazeres

que as pessoas vivem tendo por aí

como se fosse prático viver.

Como se não fóssemos a base de qualquer um desses estereótipos rejeitados.

aguardo o tombo

com o peso da incerteza

no bolso vazio.

Em 26 minutos

coisas acontecem

eu consigo almoçar

e partir uma abóbora em dois

com uma faca cega.

desenho no verso do cartão de visitas

que tudo que importa é o sonho na palma da mão

compro um skate novo

ainda posso 

ver um musical na sessão da tarde

e ligar para um amigo e não falar nada.

acumulo diários vazios e frases incompletas.

termino

o desenho

no cartão de visitas

construo uma linda narrativa

no edifício que desaba.

agora passa a bailarina de fumaça

e desintegra a realidade em um plie mal acabado.

Ainda ontem vi o cometa despencando em direção ao Andaraí.




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