Na noite, recuso a madrugada
rastejo pelas horas ainda mortas,
um corpo no chão
em volta os poucos pedestres admiram a morte
no sábado de carnaval.
Os ônibus fazem a homilia com seus motores em alta rotação
410, 464, 409, 433, todos eles passam
o corpo fica, passo também
admirado.
Alguém se encerrou ali
fim da história.
Os bombeiros tratam da burocracia e de afastar os curiosos,
o tráfego chega a quase ficar lento
o corpo agora é monumento
representando a fluidez da vida.
Quase esquina com a Rua Mem de Sá, acabou-se tudo
antes tivesse recebido um derradeiro beijo no asfalto,
mas só lhe coube o cobertor prateado do IML.
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