segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

 Na noite, recuso a madrugada

rastejo pelas horas ainda mortas,

um corpo no chão

em volta os poucos pedestres admiram a morte

no sábado de carnaval.

Os ônibus fazem a homilia com seus motores em alta rotação

410, 464, 409, 433, todos eles passam

o corpo fica, passo também

admirado.

Alguém se encerrou ali

fim da história.

Os bombeiros tratam da burocracia e de afastar os curiosos,

o tráfego chega a quase ficar lento

o corpo agora é monumento

representando a fluidez da vida. 

Quase esquina com a Rua Mem de Sá, acabou-se tudo

antes tivesse recebido um derradeiro beijo no asfalto,

mas só lhe coube o cobertor prateado do IML.

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