terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

 A Temperança passando um café

o meu subterrâneo

a natureza larga das coisas

coloco tudo no bolso da calça e tomo um táxi

como quem carrega a tarde nos braços.

Ouço as crianças e suas certezas de precipícios 

suas verdades muros de papelão

acho o ponto exato do absurdo

rabisco o futuro na mesa-flor do quintal.

Pago o motorista, aguardo o troco

espero o sopro 

pé de vento.

Deixo a porta aberta porque sempre termino as coisas no meio.

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