Era lindo
apaguei
para não chorar
Default
sai no bambuzal na beira da pista
pouca sombra e muito veneno quente
penduro cada braço no cano de ferro
ouço sua voz correndo pela grama
um abraço por trás do vidro jateado
grãos de areia arremessados com força.
Arcade Mode
Agora desço a rampa lisa
a bicicleta só no embalo corre dos dragões da tarde
desvio das imagens que não formo no fundo dos olhos
no embaçado da paisagem, ouço a voz
correndo pela grama, check point
Continue
A barra da vida nunca se esgota
soco o ar
resgato
salvo
o score mais alto do verão
ainda não
na profusão de som e fúria
vejo o fim em câmera lenta
16 bits de dor.
storytelling
Vejo a Bulgária no mapa
nos subúrbios dos seus olhos
Ouço as vozes cósmicas e a orquestra de Sofia
assim de olho no rabo
Navego nas sombras dos edifícios
na vista do canto
Contruíndo cadáveres esquisitos
Apálpebra os cílios-dedos
Por conta própria
todo o globo ocular
Desço os céus e as mesmas velhas nuvens, seguem o padrão dos ares
hipermetropiza os sentidos
As avenidas destampadas
entopem.
As avenidas deslocam os fluxos
são os ventos as preces que o céu acalme os homens.
Os pássaros avisam os nortes nos galhos de cobre da companhia elétrica.
Os homens separam o supermercado da vida correndo em fila única
tudo flui
nesse jogo
só de idas.
Avenidas
poemas secretos do lado de dentro dos luminosos dos motéis
confissões nos táxis a caminho do aeroporto,
Uma ode aos avessos
pequenos tropeços nos dias claros.
Um canto aos difusos
que partem os espelhos e rompem
simplesmente rompem
enquanto esperam.
De todos os cantos, os pertos dos muros são melhores, na margem da sombra rala
raspando o braço no chapiscado que rodeia a realidade.
Escorre pelo canto da boca, uma pequena dose de violência com um amargo perdão na língua, engulo.
Na curva arde o sol de cemitério, os corpos em esfinges e também retratos ovais em molduras douradas com início e fim e só. Passando o cemitério tem a cidade dos vivos que mandam flores e rezam.
Alguns dançam nas obras inacabadas inventando músicas para suportarem o peso do céu, os vivos são assim, ainda que ossos em movimento produzem também palavras, e isso faz toda a diferença.
Na chuva se fez o incêndio
nas tripas do poste exposto
fumaça, faísca, dança luminosa na espuma radiante
os cidadãos acionam o corpo
de bombeiros.
A luz falta
fica a memória do fogo iluminando os paredões de concreto
refletido.
A água escorre lisa pelo pavimento
a fumaça cada vez mais branca
sobe em pequenos blocos macios.
Os vizinhos em suas sacadas admiram a beleza do pequeno caos chamuscado.
No horizonte muitos pontos luminosos enjanelam a paisagem.
agora também o cheiro da borracha queimada dispersa a poesia lúcida do fogo em pequenas frestas que não se deixam calar.
assim termina o sábado no subúrbio.