sexta-feira, 9 de abril de 2021

Marvel Vs Capcom

 Default

sai no bambuzal na beira da pista

pouca sombra e muito veneno quente

penduro cada braço no cano de ferro

ouço sua voz correndo pela grama

um abraço por trás do vidro jateado

grãos de areia arremessados com força.


Arcade Mode

Agora desço a rampa lisa

a bicicleta só no embalo corre dos dragões da tarde

desvio das imagens que não formo no fundo dos olhos

no embaçado da paisagem, ouço a voz

correndo pela grama, check point


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A barra da vida nunca se esgota

soco o ar

resgato

salvo 

o score mais alto do verão

ainda não

na profusão de som e fúria

vejo o fim em câmera lenta

16 bits de dor.



quarta-feira, 7 de abril de 2021

 storytelling


Vejo a Bulgária no mapa

nos subúrbios dos seus olhos

Ouço as vozes cósmicas e a orquestra de Sofia

assim de olho no rabo

Navego nas sombras dos edifícios

na vista do canto

Contruíndo cadáveres esquisitos

Apálpebra os cílios-dedos

Por conta própria

todo o globo ocular

Desço os céus e as mesmas velhas nuvens, seguem o padrão dos ares

hipermetropiza os sentidos

quinta-feira, 1 de abril de 2021

 As avenidas destampadas

entopem.

As avenidas deslocam os fluxos 

são os ventos as preces que o céu acalme os homens.

Os pássaros avisam os nortes nos galhos de cobre da companhia elétrica.

Os homens separam o supermercado da vida correndo em fila única

tudo flui

nesse jogo

só de idas.

Avenidas

poemas secretos do lado de dentro dos luminosos dos motéis

confissões nos táxis a caminho do aeroporto, 


terça-feira, 23 de março de 2021

 Uma ode aos avessos

pequenos tropeços nos dias claros.

Um canto aos difusos

que partem os espelhos e rompem

simplesmente rompem

enquanto esperam.

De todos os cantos, os pertos dos muros são melhores, na margem da sombra rala

raspando o braço no chapiscado que rodeia a realidade.

Escorre pelo canto da boca, uma pequena dose de violência com um amargo perdão na língua, engulo.

Na curva arde o sol de cemitério, os corpos em esfinges e também retratos ovais em molduras douradas com início e fim e só. Passando o cemitério tem a cidade dos vivos que mandam flores e rezam.

Alguns dançam nas obras inacabadas inventando músicas para suportarem o peso do céu, os vivos são assim, ainda que ossos em movimento produzem também palavras, e isso faz toda a diferença.

sábado, 13 de março de 2021

 Em  pedras um grito

 estradas  na cabeça

como forma de desvio

das barbaridades

 um pé depois do outro

e na calçada

 as rodas girando

 no restaurante

um jantar com entrada e sobremesa

 um pássaro no bolso da jaqueta para todos esses momentos onde só nos resta

voar.

sábado, 6 de março de 2021

 Na chuva se fez o incêndio 

nas tripas do poste exposto

fumaça, faísca, dança luminosa na espuma radiante

os cidadãos acionam o corpo

de bombeiros.

A luz falta

fica a memória do fogo iluminando os paredões de concreto

refletido.

A água escorre lisa pelo pavimento

a fumaça cada vez mais branca

sobe em pequenos blocos macios.

Os vizinhos em suas sacadas admiram a beleza do pequeno caos chamuscado.

No horizonte muitos pontos luminosos enjanelam a paisagem.

agora também o cheiro da borracha queimada dispersa a poesia lúcida do fogo em pequenas frestas que não se deixam calar.

assim termina o sábado no subúrbio.

primeira parte do todo