quinta-feira, 4 de junho de 2026

 o nome na blusa diz:

vulcão

comentei com Caetano,

muita gente virando psicanalista

mas o preço não baixa

comentei com Caetano,

na blusa estampada, nome vulcão

sem fogo nem rugosidade

gola em V.

Fica feliz quando termina um livro, agora migra 

filosofia ocidental

uma espécie de angústia pinta 

Fica feliz quando termina um livro

agora começa outro

filosofia ocidental

uma espécie de angústia aparece

termina um livro

compra outro

filosofia ocidental

alguma coisa pesa

olha a blusa, faz sinal pro meia zero meia

as almas pela janela.

Muita gente fica assim encarando, tentando ler na blusa

passa o tempo, a fonte não ajuda muito

nas ruas acontece, café

Joelho

Coca zero

Vulcão na blusa

folhas mortas

em agosto sempre esse cheiro de final de tarde

amendoeira.

anota uma coisa qualquer importante

salva na nuvem



domingo, 5 de abril de 2026

 oscila descreve o fóssil no corredor, outra vertente de pensamento pisca-pisca

quebra do caminho nesse troço danado de girar nos entornos, ramifica a cabeça na esperança de um dia uma corda juntar tudo num nó.]

acidente.

nada do esperado, já era de se esperar, como são comedidos diante do imenso, é o pouco que colorem o muito...

desse hipnagógico não se extrai delírio algum, só latências mastigadas e a velha arte de acordar

janelas de tantos pássaros.

a pedra certa nessa ideia fixa

em pleno desgaste do atrito do ar a palavra que tomba antes do ouvir

disse 

bateu a porta

coloca de volta o sonho no lugar

pela fresta da veneziana

perdemos de vista mais um cometa.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Musical

 A coisa toda é assim

raiz e terra

brutalidade mesmo

natureza em deslocamento

Antes do nome

Antes da pressa

Concreto, vidro, luzes. O som é rítmico, quase agressivo.

Planos fechados: pele, terra, folhas, respiração.

os diálogos seguem acontecendo

Folhas misturadas ao asfalto. Corpo híbrido.

máquinas ou não, ainda assim são vozes

as camadas são tantas, mal podemos ver a essência

tudo acontece nos tempos mortos 

estica até onde doer

começa ali a mágica

recortando cada vez mais as ações

até sobrar só o brilho da última faísca

Silêncio longo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

vocês verão

 só suor

óculos escuros, veste a calçada

pode chorar assim, deu no rádio

atravessa o punhal do antiquário

quem menos sabe do mar

é o peixe

5 anos numa faculdade de filosofia para mandar essa em rede nacional.

Minimalista, música assim de ouvir enquanto pensa ou rabisca uma vontade ou tenta apagar uma ferida.

imagina só

imagina

aeroporto vazio, muita madrugada pra dentro, pesa o prato antes pra ver a tara, estão transportando um defunto nesse avião, pousou agora, salada nem pensar, só cozidos, já vem o dia novo, é muita gente importante pra fazer, as lojas vazias, roda bandeira 2, troca estação, luminoso, luminoso, cheiro de vala, Antônio Carlos Jobim, desafiado pelos urubus na cabeceira da pista.

desce mais um gota de suor, fácil de entender o desespero, mesmo assim ainda guardo o álbum de fotografias, hoje em dia com o digital ninguém mais vai ter passado.

deu no rádio de novo

pode chorar.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

10embro

 corroboro

cão correndo pelo menos não é segunda-feira

trocaram os postes pelos nomes

acendem quando chamam

vocês já sabem...

cumprir as metas de ano novo

sempre um pequeno desespero

envio as mensagens e os meios, ficaram por ali mesmo no parapeito

não chegaram no ismo do abismo, poço do fundo sem fundo,

falando assim parece fácil se perder, escrevo isso da rodoviária Novo Rio, a pressão já baixando

Guaravita inside my soul, um pouco de lateral shift, faz mudar o ponto de vista, perdemos mais um amigo conforme passam os anos morrer não é mais uma tragédia, gesta essa pequena solidão, além do mais acabaram as livrarias e os preços são de aeroporto, preciso voltar a fumar o quanto antes, percebe-se melhor o tempo com os pulmões inflados de fumaça.

Faz uma música nesse intervalo, sobra poesia pelos rodapés, mais vale a melodia que não cabe em cordas, só sopros pra acompanhar, o calor é peça chave nesse fim de mundo, mar de fogo, paga mais de duzentos reais nessa roupa térmica.

domingo, 2 de novembro de 2025

 Os panos por cima dos olhos

Reforça o azul do remanso, os fios dessa memória 

Sustentam o peso do incerto 

Caminhando pelo deserto 

Até a próxima sombra

Muda cena

Pela violência do sistema 

Escapa na reza

Escapa na resma

Desse papel timbrado

Codificado 

É tradicional o fracasso 

Vivemos com pouco

O descaso 

Os panos em cima dos pratos

As moscas não pousam assim

As moscas não pousam assim

Muda

Cena muda

Só os credenciados desse lado da porta

. Comedores de terra

Disfarça aqui e ali essa síndrome de abutre

Exibir a cauda do pavão 

Primeiro 

Depois o soco na boca do céu.

Espera para derreter esse sistema 

Divaga pela borda da paisagem 

Constrói imenso castelo desmontado, espalhado pelos espaços de perda.

De tudo se faz esse suco

Não, primeiro se colhe as frutas

Primeiro se escolhe a fruta mais colhida

Depois se colhe sem parar 

Aí sim, faz o suco

Bate muito bem batido 

Diluir no polímero da moda

Engarrafa

Encaixota

Mobiliza a fúria

Anuncia no horário nobre

terça-feira, 7 de outubro de 2025

na borda do passeio

 a blusa verde

adere ao movimento do corpo na pista de correr

contra a perspectiva dessa nuvem

sobra o canto da sombra na raia 3

na CBN diz outra coisa

são só jornalistas contratados por indicação

no final uma piada apazigua a catástrofe 

diz que vai chover

nessa hora a luz se perde

já são 41 translações nessa galáxia

gastando sola pelas tramas da cidade

jogando a carcaça na frente dos carros

recolhendo o pó da poesia na beira do meio-fio .

primeira parte do todo