domingo, 27 de fevereiro de 2022

 Um prego amarelo

na cena formada no canto

a baguete no centro da mesa

a toalha de rosto apoiada na quina

na sobra do dia

na hora que faltou

quando derrubaram o domingo na soleira da porta

ficou o suor e a mão parada no ar

foi quando o vizinho gritou e distraiu o gato sem nome

no telhado morno

foi o golpe final 

no intervalo do jogo

cigarro na varanda

papeís carregados de pesos de pedra azul

uma doce conclusão sai de uma boca no bar

do outro lado da rua

Viva Ringo Starr!

Viva o poeta James Marshall Hendrix!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

 E outras bobagens

solavancos nessa estrada de futuro

a rocha observa a palavra adormecida

uma ilha

assim como nós

que partimos

parados esperando a razão falar mais alto

praticamente um grito

dentro do capacete

na garupa da CG

na pista da esquerda da Brasil

tanta vida

tanto óleo na pista.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

#@ristóteles

 Por vezes caminhando

substância

Vozes e fotografias

o edifício vazio na capa do seu livro

um poeta inglês do século XVII.

Os cavalos já foram asas e agora são trilhos

são toques em botões sem rédeas

os pedaços já não formam

nada além de outros pedaços.

Progresso 

represa de gesso que cerca nossa cidade.

Os mapas se moldam nos passos aflitos desenhando trajetos improvisados

corpo-pensamento

substância

é sobre isso

e tá tudo bem.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Cidade

 Os fósforos parados não acesos

toda a luz extinta

noite 

também sólida

porém noite

ainda que dia de semana| começo de mês

particípios irregulares se acumulando nas bordas do apartamento

um pedaço de filosofia separa o vão do nada

seremos sempre os outros

que contam as histórias

Fiat Lux

Ficção

Paul Verlaine

comeu

Rimbaud duabmiR

ça marche

acendo

mais um

risco

artifício 

Todos despertos no alívio 

da tortura

na folga do carrasco

ar náufrago 

o avesso da combustão

acesso

não queima

só arde.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

P_EM_

 No crânio ciborgue atravessado no corredor

lembrou o busto de Kafka em Praga

no sol

inventado

aqui e agora é sempre uma ficção científica 

um tiro

escadas vazias do edifício

luzes

matéria e metal

vozes

animais inventados por toda a parte

cena de crime

navio mercante 

no porto

longe das águas

fuga

um poeta português também embarca

viagem só de ida

na tripulação a polícia procura os inocentes

o horizonte se aproxima

o jantar é servido

os robôs contaminam a água

por isso se bebe leite

e suco de melancia

Chegamos no mesmo porto

o poeta retorna ao apartamento

e verifica se o ciborgue ainda não está vivo.


segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Quadro Número 1 - Sala de estar

 Animal

no meio da pintura

em chamas

os abraços não podem conter o fogo

Vermelho Cádmio

Amarelos diversos

já mergulham fumaça

sem cheiro

Tudo queima os olhos nus

os verdes poucos já

ainda sobrevoam ocres de tanto ferro que escorre da paisagem.


sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Garagem

 Os tijolos em geometria 

erguendo o prédio

essa agonia

essa vertente

corta seco

cabisbaixo 

padeço

desse viver

de andar em andar

engenharia que desaba

ilusão do subsolo

mergulhado no cinza carbônico 

onde os corpos se esbarram nas madrugadas e manhãs dos dias úteis

estaciono


primeira parte do todo