I
desce a coca-cola pela garganta
esôfago
rins
o desespero do final do expediente
a pureza do iludido.
tudo isso escorre,
e apodrece como as bananas na noite.
Ao mesmo tempo, o gelo derrete no copo
derreto minhas felicidades clandestinas
afogadas no amarelo da luz do poste
que ainda não desabou.
22 de dezembro
o oco no passadiço
suspenso
sobre o fogo da cidade
duas pontas soltas
que me desabam.
II
Estanca
o paraíso nos seus ombros
nômades
traduzo
trago a ferramenta
que desmonta a engrenagem
que martela os dias
pregando verbos no passado.
O torpor da rua vazia
encontro abrigo
na realidade da padaria
que multiplica os pães
como o diabo.
III
Narizes respiram o chumbo
e tudo mais.
São feras soltas na praça
que mantêm a paz.
Encontro um amigo antigo
do tempo confuso de sempre
conversamos
convergimos
em balelas
e restos
19:00 tocam as sirenes
as feras são soltas
corremos para casa
e assistimos o fim do mundo no jornal.
pelas ruas os homens erguem monumentos para poderem esquecer.
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