domingo, 15 de novembro de 2020

 Atiro os dias no bolso da calça

e percorro os endereços.

Numa nuvem vi um desenho teu

um traço esfumaçado com a ponta dos dedos.

Tudo mergulha no olhos que imaginam

tantas presenças construindo esse vazio emoldurado,

me pergunto se as pessoas tem medo de morrer ou de viver?

essa indagação pode ter destruído o poema mas a arte de tomar decisões erradas agrega valor ao livre arbítrio. 

Arremesso alguns minutos para escolher entre o percurso e o descanso. Descanso.

A primeira coisa que perdi na pandemia foi um lápis atrás da cama

onde o braço não alcança, depois perdi um pouco do brilho, ganhei uns quilos e uns sonhos, perdi o medo e o ar, reflito olhando a sacada do prédio vizinho.

Recorto a cascavel na capa da revista e colo no jornal de pedaços do mundo que carrego junto com meu álbum de fotos. Meu mapa astral não vai nada bem, consulto o horóscopo chinês onde sou regido por mercúrio e meu dia de sorte é quinta-feira.

Agora sim, vou tirando do bolso os dias, um por um, e entre os dedos esmago as horas e deixo os instantes escorrerem pelas mãos.

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