domingo, 2 de novembro de 2025

 Os panos por cima dos olhos

Reforça o azul do remanso, os fios dessa memória 

Sustentam o peso do incerto 

Caminhando pelo deserto 

Até a próxima sombra

Muda cena

Pela violência do sistema 

Escapa na reza

Escapa na resma

Desse papel timbrado

Codificado 

É tradicional o fracasso 

Vivemos com pouco

O descaso 

Os panos em cima dos pratos

As moscas não pousam assim

As moscas não pousam assim

Muda

Cena muda

Só os credenciados desse lado da porta

. Comedores de terra

Disfarça aqui e ali essa síndrome de abutre

Exibir a cauda do pavão 

Primeiro 

Depois o soco na boca do céu.

Espera para derreter esse sistema 

Divaga pela borda da paisagem 

Constrói imenso castelo desmontado, espalhado pelos espaços de perda.

De tudo se faz esse suco

Não, primeiro se colhe as frutas

Primeiro se escolhe a fruta mais colhida

Depois se colhe sem parar 

Aí sim, faz o suco

Bate muito bem batido 

Diluir no polímero da moda

Engarrafa

Encaixota

Mobiliza a fúria

Anuncia no horário nobre

terça-feira, 7 de outubro de 2025

na borda do passeio

 a blusa verde

adere ao movimento do corpo na pista de correr

contra a perspectiva dessa nuvem

sobra o canto da sombra na raia 3

na CBN diz outra coisa

são só jornalistas contratados por indicação

no final uma piada apazigua a catástrofe 

diz que vai chover

nessa hora a luz se perde

já são 41 translações nessa galáxia

gastando sola pelas tramas da cidade

jogando a carcaça na frente dos carros

recolhendo o pó da poesia na beira do meio-fio .

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

 

O apocalipse do outro, rasgar a cortina, deixar uma pegada no cimento fresco da porta do Sport club Mackenzie. Medir as proporções dos tombos, na hora final do dia imagino esse giro

roda do skate, motor em marcha lenta.

Na terceira pessoa da fila do caixa, disparo

Retrato.

Limão e pasta de dente

Débito.

Aproximação.

Se amontoam nas curvas, todos nós ali, portão da escola, sorveteria.


A cidade engole cada pequeno caso isolado de sobrevivência

Respirar nessas arestas

O dia de frente

Despisto pelos caminhos cada pedaço da vertigem que sustenta a estrutura

Processos naturais humanos

anunciam a tempestade

esperamos


nas horas imagem

imagem quadrada

forçar esse encontro

esperamos


nas veias abertas

só o que jorrava

era só

esperamos


Resposta suspensa

decifrar o sonho logo cedo

construir a mesma cerca em volta disso tudo

criar no vão

para o vão

e ir


salvar

como


Avolumar

todas as geometrias

planas

conjuntar esses horizontes em uma mixtape


construir cabeças cortadas

pensar o fim da memória

ver o que fica no final das contas


em todo esse infinitivo

impera

um mesmo rumo


Força fraca que vem, treme e acelera

no eco do ginásio vazio

ou beira de rio sem barco

cabeça acessa na imensidão do intervalo


Sobras que narram o todo

nos pequenos pedaços deslocados

montamos esse quebra-cabeças

no desenho

uma paisagem

figura

profundidade e latitude

rasura no canto da tela

agora exposto

no canto da parede

no centro da sala

diante da mesa com certeza

ninguém chama.


Amanhã

volta ao mercado

pois é disso que a vida é feita.


Passar pela calçada do Sport club Mackenzie

procurar o passo


torto, torto, sinceramente torto, a beleza é algo áspero e repetitivo

acontece assim, toda vez que chove, perde o sono e fica vibrando.

Camada em cima de camada, escurece o futuro, fruto amargo

na visão periférica, aparece a paisagem, recomeço da recaída , mesmo ouvindo Simon e Garfunkel não deixei ninguém feliz. Essas mundanas coisas, vemos através do espelho


no eco do ginásio vazio

toca na rádio

delírio dessa terra

a trupe chega na cidade

ainda não nos acostumamos com esse tanto de fim.

Ironia é todo o dia

das mortes mínimas entre os cafés

palavras de ordem

abec 9

deslize

inútil frequentar essa calçada

já se passaram dois dias nas últimas duas horas

nenhum aeroporto tem nome de mulher

quase nenhum



quinta-feira, 10 de julho de 2025

Allegro moderato

 UT REPENTE

SIC POETA

PRODIREM

conta o dia como a pedra

o fracasso do ocidente pelas veias

confie na sua luta, eles dizem

novelas mortas na prateleira

imagens do tumulto no televisor 42 polegadas

coloca no mudo, arrasta o móvel

paciência da garça nessa hora

é a terra que conta entre as palmas das mãos

solas desgastadas desses nossos tênis.

no reply

tantas formas de ludibriar o acaso

afunda o prego no martelo

a placa diz

não jogue luxo


pista noturna

serenidade sempre

sempre tem a parte chata

transição na trama


segunda-feira, 14 de abril de 2025

 Meridiano

diz a lenda 

receita desse bolo

é a cereja do bolo

diz a lenda

divide esses polos

a cereja é chuchu

diz a lenda

aquele som da madeira estalando no fogo

também da brasa atiçada no topo do cigarro

lucky strike prata

its toasted

diz a lenda

mixtape no fone estéreo jbl

por esse ermo horizontal

tremor essencial

libera mais essa

mia o gato

Kate Perry no espaço

sideral

diz a lenda


quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

PoRtO

 cabe na mão esse mistério, disforme

anúncio do fracasso, na hora do Brasil

esses mesmos abraços navegam ondas curtas 

pequenas partidas[marujos mirando o baile no arraial

se confunde a fome com a falta

pedra e cais

trovoa

viração

Vento Menino leva daqui

voa pedra no futuro

parte queda/parte mergulho

a força é proporcional ao movimento

elástico

contrário contra a massa

na mais antigas das gravidades

toda a grandeza dos corpos celestes

aceleração dos objetos pulsantes

arremesso

esvazia a mão desse mistério.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Basalto

 não menos importante, sobrou no canto

meteoro amargo

que caiu dia desses

sem fazer alarde

e foi ficando]

na espera

mineral

riscou o céu num invisível só

despencou na terra fofa ao lado da construção civil.

sem qualquer notícia 

ou imposto incidente

agora simples rocha

detonada em brita

para construção de paisagens

resistência mecânica

que sustenta o concreto.


primeira parte do todo