Alguma coisa
under a blood red sky
o gosto na boca do estômago
sal grosso do tempo
as paredes rompem com todas as convenções
estamos livres
enquanto sonhamos.
estamos também calados
quando treme o chão.
Alguma coisa
under a blood red sky
o gosto na boca do estômago
sal grosso do tempo
as paredes rompem com todas as convenções
estamos livres
enquanto sonhamos.
estamos também calados
quando treme o chão.
distante, mordo os dentes
seguro os segundos como se fossem dias e espremo entre os dedos
cai a gota
do instante.
Rua Desembargador Isidro, 156
o carro hesitante no mapa
aceita a corrida, mas permanece parado
um, dois minutos
ele vem.
Entro no Uber
Genilson
Ford Ka branco
Disse que tá foda
Não
sabe se vai aguentar
Baixou a cabeça no volante e chorou
Praça
da cruz vermelha
Agora fica repetindo que vai desistir
rua frei caneca 54
fecho a porta com uma ponta de lança no coração.
e sendo a vida
obra tão frágil
merecedora de qualquer gota de beleza,
escrevo poesia
no meu peito
para disfarçar essa tristeza.
Os sons tilintando
quase verbos
mas com traços estáticos
que apenas vibram
discretamente.
na entropia
entorpeço
peço uma coca-cola
eu tomo
anoiteço.
os números romanos
o iogurte grego
o céu é para todos
somos isso.
somos
trem.
subúrbio em marcha
com sangue no olho
e loção pós-barba.
lembrança que não desce
marujos observando a tempestade chegar
na calmaria.
Divido o bolo de laranja
reparto
cada fatia, um monumento erguido
no altar do seu prato
o sacrifício do fubá
consumamos os fatos.
As roupas se jogam do varal
no vento quente de abril
que arremessa os pensamentos contra os muros
de sonho.