sábado, 10 de outubro de 2020

outro céu

 Testando o céu

vendo a dança dos golfinhos 

aqui

onde

o sol

respira.

Escrevi um romance em 2 horas na minha cabeça

chamei de Best-seller e guardei na gaveta

fui comprar pão

afinal ainda existe a fome

todos os dias ela existe

como os próprios dias existem.

coloco um som no headphone,

como o pão

mato a fome

recuso a vida

sem vida.

vejo um pedaço da calçada da minha janela

de vez em quando alguém passa

é maravilhoso.

céu de outubro

 o céu de outubro e todas as roupas jogadas nos cantos onde o amor acaba

o vento que traz

tudo 

em objetos

de todos os tipos

plástico e vertigem

acompanho o vendaval e as plantas

na sacada.

balé das substâncias

que ocultam as cidades

o mistério do solo.

Ainda penso

no remendo da mochila e nos restos de afazeres

que as pessoas vivem tendo por aí

como se fosse prático viver.

Como se não fóssemos a base de qualquer um desses estereótipos rejeitados.

aguardo o tombo

com o peso da incerteza

no bolso vazio.

Em 26 minutos

coisas acontecem

eu consigo almoçar

e partir uma abóbora em dois

com uma faca cega.

desenho no verso do cartão de visitas

que tudo que importa é o sonho na palma da mão

compro um skate novo

ainda posso 

ver um musical na sessão da tarde

e ligar para um amigo e não falar nada.

acumulo diários vazios e frases incompletas.

termino

o desenho

no cartão de visitas

construo uma linda narrativa

no edifício que desaba.

agora passa a bailarina de fumaça

e desintegra a realidade em um plie mal acabado.

Ainda ontem vi o cometa despencando em direção ao Andaraí.




sexta-feira, 25 de setembro de 2020

LaPsO dO tEmPo

 O lapso

o tempo
85 apartamentos
aglomerados
no concreto
dividindo o mesmo teto
branco]
o lapso
os corredores rasos
a maçaneta da porta da lixeira do prédio
odiada.
o playground abandonado
as crianças inventando mundos na solidão dos azulejos.
os quartos separados
memórias retorcidas
no armário
embutido.
As esquadrias recortam a paisagem
por onde os dias entram.
No Lapso
do tempo.

sábado, 19 de setembro de 2020

Adesivo

 Colado ali

contemplo

os cantos do sol

é o amor

esvazio o fogo

fumaça resiste

trago tudo.

Adeus

domingo, 13 de setembro de 2020

SETEMBRO.

 Rever os muros

desver tudo o que habita o entorno

ver só as formas

que marcam as simetrias que o homem cria para disfarçar a beleza do acaso.

desmonte

desmontar

os óbvios erguidos nesse arranha-céu fundado na lama.

num sonho desses estranhos que fico com preguiça de anotar e depois tento lembrar

lembrei também da dor, do meu cálculo renal

cama fria do hospital e remédio que desfoca a visão

na veia.

direto na corrente sanguínea

onde tudo ocorre.


sexta-feira, 21 de agosto de 2020

under a blood red sky

 Alguma coisa

under a blood red sky

o gosto na boca do estômago

sal grosso do tempo

as paredes rompem com todas as convenções

estamos livres

enquanto sonhamos.

estamos também calados

quando treme o chão.


quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Relógio

 distante, mordo os dentes

seguro os segundos como se fossem dias e espremo entre os dedos

cai a gota

do instante.

primeira parte do todo