Falo também do fracasso, principalmente do fracasso, dos corpos mal acabados passeando por bares, dos botes navegando na Baía de Guanabara buscando um mar que não existe, o fracasso vitorioso de não pertencer, o fracasso vitorioso de não ter poder de voto na reunião do condomínio, de pedir desconto no pagamento á vista, de poder estar dentro olhando de fora, rindo e chorando.
Falo do fracasso dos corpos mal acabados estirados pelos bares, dos pequenos botes à deriva na Baía de Guanabara remando para sair da margem, passando por cima da ponte eu vejo, pelo banco do carona a gaivota. A motocicleta enguiçada, o caminhão rebocado, pela pista da direita vejo o bote solitário no imenso maior que qualquer possibilidade.
A margem pela margem, que acontece pelos cantos e belisca o pão com mordidas invisíveis que faz corpo presente nas filas por filas e por horas que não contam nos relógios ajustados. Esse fracasso sutil que mastiga o sorriso antes de cuspir atrás da cortina.